Anotações constantes, leitura obsessiva do jogo e intervenções sem medo do risco – assim Juan Carlos Osorio costuma ser visto à beira do campo.
O técnico colombiano, novo comandante do Clube do Remo, transforma cada partida em um processo vivo, com ajustes frequentes e decisões tomadas a partir do que o jogo apresenta, não apenas do que foi planejado antes da bola rolar.
É isso que a torcida do Leão espera conferir a partir deste domingo (18/01), com o primeiro compromisso do time na temporada – a decisão da Super Copa Grão-Pará, diante do Águia, no Mangueirão.
A marca principal de Osorio é a variação tática. Formações mudam com naturalidade, às vezes dentro da mesma partida, sem que isso signifique abandonar a proposta ofensiva. Independentemente do adversário, o treinador costuma priorizar posse, mobilidade e ocupação agressiva dos espaços, mesmo que isso traga exposição defensiva em determinados momentos.
Outro traço evidente está na gestão do elenco. Repetir escalações não é regra, pelo contrário. Osorio costuma rodar bastante o grupo, entendendo que competitividade interna faz parte do rendimento coletivo. No Remo, essa filosofia tende a ganhar força em um elenco numeroso e valorizado, exigindo atenção constante dos atletas nos treinamentos e nos jogos.
A ousadia também aparece na bola parada defensiva. O colombiano costuma fugir do padrão tradicional, reduzindo o número de jogadores fixos na área em escanteios e faltas laterais. A ideia é controlar melhor o espaço e evitar superioridade numérica do adversário fora do eixo principal da jogada.
Com carreira marcada por passagens expressivas no Atlético Nacional (Colômbia), Seleção do México, São Paulo (SP) e Athletico (PR), Juan Carlos Osorio chega ao Baenão cercado de expectativa. Para o torcedor azulino, o que se verá à beira do gramado é um treinador inquieto, participativo e disposto a contrariar consensos, mesmo quando isso significa dividir opiniões.
Diário do Pará, 18/01/2026


