Chapecoense-SC 2×3 Remo (Leonel Picco) – Foto: Raul Martins (Clube do Remo)
Chapecoense-SC 2×3 Remo (Leonel Picco) – Foto: Raul Martins (Clube do Remo)

O Clube do Remo foi o time que mais contratou jogadores na primeira janela de transferências de 2026 entre os clubes da Série A do Campeonato Brasileiro.

À primeira vista, o dado poderia indicar uma postura agressiva no mercado e alto investimento por parte do Leão. No entanto, o relatório oficial da Agência Nacional de Regulação do Sistema de Sustentabilidade Financeira (ANRESF) mostra justamente o contrário – apesar de liderar a elite nacional em número de reforços, 86% das contratações azulinas foram feitas sem custos de transferência.

O cenário foi detalhado no “Relatório de Transferências – Brasil”, documento que monitora as movimentações nacionais e internacionais dos clubes submetidos ao sistema de Fair Play Financeiro.

Segundo o levantamento, o Remo registrou 21 entradas de atletas na janela de janeiro de 2026, empatado com o Mirassol (SP) como o maior volume entre os clubes da Série A. Mesmo assim, o clube apareceu apenas na 17ª colocação no ranking financeiro entre os 20 participantes da elite.

A diferença chamou a atenção da própria ANRESF, que citou o Remo como exemplo de um modelo de mercado baseado em muitas movimentações, mas com baixo investimento em taxas de transferência.

“Remo e Mirassol (SP) lideram em quantidade, com 21 entradas, mas aparecem apenas na 17ª posição e 16ª posição no ranking financeiro”, afirmou o relatório.

A análise do documento indica que a estratégia azulina esteve fortemente baseada em atletas livres no mercado, empréstimos e negociações sem custos. Das 21 contratações realizadas pelo clube, apenas 3 envolveram operações onerosas, ou seja, com pagamento de taxa fixa ou condicional pela aquisição do jogador.

As contratações do Leão que tiveram custo financeiro na primeira janela de 2026 foram o volante Leonel Picco e os atacantes Jajá e Gabriel Taliari. Na prática, isso significa que aproximadamente 86% das entradas do Remo ocorreram sem pagamento de taxa de transferência.

O próprio relatório destaca que um grande volume de reforços pode esconder a real capacidade financeira dos clubes. No caso azulino, a quantidade elevada de contratações não se traduziu em alto investimento.

“Apesar de ser o clube com mais entradas no geral (21), o Remo teve apenas 3 aquisições onerosas, o que justifica sua posição na parte inferior do ranking financeiro”, registrou a ANRESF.

O contraste fica ainda mais evidente quando o desempenho é comparado ao de alguns dos clubes mais ricos do país. Enquanto o Leão liderou em quantidade de reforços, equipes como Flamengo (RJ), Palmeiras (SP) e Cruzeiro (MG) seguiram um caminho oposto – fizeram menos contratações, mas concentraram investimentos milionários em atletas específicos.

O clube carioca, por exemplo, apareceu apenas na 17ª posição em número de entradas, mas liderou o ranking financeiro da janela, enquanto os mineiros ficaram na última colocação em quantidade de contratações, mas figurando entre os maiores investidores do futebol brasileiro.

Essa diferença ajuda a explicar a desigualdade estrutural retratada no relatório. Clubes consolidados financeiramente conseguem apostar em contratações pontuais e caras. Por outro lado, equipes recém-promovidas, como o Remo, precisam reformular elencos inteiros e, para isso, recorrem com mais frequência a oportunidades de mercado.

Os números gerais da Série A reforçam esse cenário. De acordo com o relatório, os clubes da elite brasileira movimentaram 7.581 transferências domésticas em 2026. Desse total, apenas 334 aquisições foram realizadas por clubes da Série A, mas elas concentraram 95% de todo o dinheiro investido no mercado nacional, somando R$ 374,35 milhões em taxas fixas e outros R$ 72,41 milhões em valores condicionais.

Mesmo dentro desse contexto de grande movimentação financeira, o Remo praticamente não participou das principais operações da janela.

O relatório também mostra que o clube não realizou investimentos relevantes no mercado doméstico. Ao analisar os rankings nacionais de compradores, a ANRESF afirma que Remo, Vasco (RJ) e Cruzeiro (MG) encerraram a janela sem gastos domésticos registrados.

Outro ponto destacado pela agência foi a baixa capacidade do clube em transformar movimentações de elenco em receita. Apesar do alto número de saídas, o Leão conseguiu monetizar apenas uma transferência durante toda a janela.

“Chapecoense (SC), Corinthians (SP) e Remo, que apesar de movimentarem dezenas de atletas, conseguiram monetizar apenas uma saída cada”, afirmou o documento.

Segundo a ANRESF, isso indica que a maior parte das baixas ocorreu por rescisões, liberações sem custos ou encerramentos de contrato, sem geração significativa de caixa para o clube.

A dificuldade de monetização aparece como um dos principais problemas estruturais apontados pela análise. Enquanto clubes como Vasco (RJ), RB Bragantino (SP) e Internacional (RS) lideraram as receitas com transferências na Série A, o Remo surgiu no levantamento como uma equipe ainda distante de transformar jogadores em ativo financeiro.

O relatório também confirmou que o clube encerrou a janela de 2026 com déficit entre compras e vendas. Para a ANRESF, esse comportamento era esperado entre os clubes recém-promovidos à elite nacional.

“Olhando para os clubes que subiram da Série B, é natural esperar que adotem uma estratégia deficitária nesta janela, tendo em vista o maior nível de competitividade da divisão principal. Isso se verifica para 3 dos 4 promovidos – Chapecoense (SC), Coritiba (PR) e Remo”, destacou.

No retrato final produzido pela ANRESF, o Remo aparece como um clube extremamente ativo no mercado, mas ainda sem força financeira para competir em igualdade econômica com os gigantes da Série A. O Leão montou praticamente um novo elenco para disputar a elite nacional, mas precisou fazer isso recorrendo majoritariamente a atletas livres, empréstimos e operações de baixo custo.

Os números revelam que o clube buscou ganhar competitividade esportiva pelo volume de contratações, mas ainda enfrenta um desafio estrutural importante – transformar movimentações de elenco em patrimônio financeiro em um mercado cada vez mais dominado pelos clubes de maior poder econômico.

Diário Online, 19/05/2026

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4 COMENTÁRIOS

  1. Por favor Diretoria ! Ze Rafael nao , ja vao começar a fazer merda nas contratações. Vao atrás de jogadores novos

  2. Ainda se faz necessário algumas contratações, um outro zagueiro seguro, porque temos apenas 2, que ainda bem que não se contundem e levam poucos cartões, mas até o final do campeonato, vai precisar substituir.
    Um lateral esquerdo reserva do Mayke, e com certeza um atacante de beira, versátil que nem o Jajá, porque graças ele também corre, corre, volta, aparece na área, e não se machuca.

    • Cara Gilmessi77, corroboro com a tua análise, realmente o Remo precisa contratar mais um zagueiro, um lateral esquerdo e um ponta.

      Queria ver jogando no Remo, nessa série A, o ponta Figueiredo (24 anos, atualmente no Alverca de Portugal), jogador muito habilidoso e veloz, joga nas duas pontas e tem ótima participação em gols na sua carreira, esse ano em 28 jogos fez 6 gols e 2 assistências.

  3. O Zagueiro Doria do Sao Paulo esta pedindo recisao de contrato por la pq a torcida ta pegando no Pé dele, seria uma boa opção de Zagueiro. Um ponta estilo Jaja pelo lado esquerdo, um LE tb, acho até q mais um volante mais novo e mais leve poderia ser uma boa.

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