Um jogo de futebol tem 90 minutos, mas para o Remo, teve apenas 60 neste domingo (22/03). Apesar de ter “jogado fora” os 30 primeiros minutos, esse tempo foi suficiente para fazer 4 gols no Bahia (BA), em jogo válido pela 8ª rodada da Série A do Brasileirão.
Sendo assim, vamos pular um pouco a primeira meia hora do jogo – ponto que será retomado mais adiante. A parada técnica, que ocorre por volta dos 30 minutos de cada tempo, foi determinante para o resultado no Mangueirão.
A pausa para hidratação surgiu no futebol com o objetivo de permitir que os jogadores se reidratem em partidas com temperaturas elevadas. Com o tempo, passou a ser utilizada também para ajustes táticos, algo comum em outros esportes, como o vôlei.
Ou seja, a “parada para hidratação” virou também uma “parada técnica”. Neste ano, a Conmebol instituiu esse tipo de pausa em todas as partidas da Copa Libertadores e da Copa Sul-Americana, independentemente das condições climáticas.
Foi justamente nesse momento que o técnico Léo Condé reorganizou o Remo. Se antes o Leão apenas sobrevivia no jogo, depois disso a equipe entrou de fato na Série A e fez o Bahia (BA) “pagar o pato” pelos 7 jogos anteriores sem vitórias.
Dos 16 chutes do Remo ao gol, 13 aconteceram após a parada técnica, incluindo os 4 gols. A pausa, portanto, foi decisiva para os ajustes da equipe.
Aos 36 minutos, Vitor Bueno enfiou excelente bola para Alef Manga, que cortou Gabriel Xavier e tocou para Gabriel Taliari chutar em cima do zagueiro Ramos Mingo. O gol não saiu nessa jogada, mas os 3 azulinos envolvidos teriam protagonismo mais à frente.
Aos 39 minutos, Zé Ricardo assustou com um chute de fora da área. No minuto seguinte, foi a vez de Marcelinho testar o goleiro Ronaldo, também de longa distância. Esse lance foi chave para a partida. Ronaldo se machucou ao cair no gramado após a defesa e precisou ser substituído por João Paulo.
O Remo cresceu na medida em que o Bahia (BA) encolheu na partida e a saída do goleiro titular teve seu peso nisso, com o time baiano parecendo ter sentido a troca, algo mencionado pelo próprio técnico Rogério Ceni na coletiva que ocorreu após confronto.
Se a reação do Leão foi positiva após a parada técnica, a do Bahia (BA) foi negativa depois da lesão. Ainda assim, é importante destacar que a queda de rendimento não explica tudo. O Remo teve méritos claros na virada, com maior agressividade e melhor aproveitamento das chances criadas.
Para o segundo tempo, Léo Condé pediu que o time arriscasse mais de fora da área. Foi assim que Vitor Bueno empatou a partida e recolocou o Remo no jogo, nos acréscimos da primeira etapa.
Aliás, Vitor Bueno merece um capítulo à parte. Além de marcar o primeiro gol, o meia azulino participou diretamente dos outros momentos decisivos. No segundo gol, desviou a bola após cruzamento de Yago Pikachu, que João Paulo espalmou e Gabriel Taliari aproveitou para virar o placar.
Depois, o Remo ampliou em jogada construída entre os dois. Taliari tabelou com Bueno e marcou mais um no Mangueirão. Ou seja, Vitor Bueno esteve envolvido nos 3 primeiros gols, além de outros lances importantes, como um lançamento para Alef Manga, ainda no primeiro tempo.
Ele também parece ter encontrado um bom parceiro de ataque. Após tentativas com Eduardo Melo, João Pedro, Carlinhos e Rafael Monti, Taliari surge como uma nova esperança ofensiva.
Para fechar o placar, Alef Manga recebeu belo passe de Yago Pikachu e serviu Jajá, que pode não ser brilhante, mas é imprescindível. Lutou, se sacrificou e gerou perigo constante.
Se o ataque vinha de 3 jogos sem marcar, os 3 jogadores ofensivos balançaram as redes contra uma equipe que havia sofrido apenas 3 gols em 7 rodadas.
O Remo deu sinais de que pode competir na Série A após a parada técnica, mas antes disso, parecia caminhar para uma derrota elástica. O Bahia (BA) teve liberdade para atacar e só não ampliou por falta de capricho. Kayky permitiu que Kike Oliveira passasse por ele algumas vezes no primeiro tempo. Em uma dessas jogadas, Everaldo apareceu livre para abrir o placar, de cabeça. Marllon e Duplexe Tchamba também poderiam ter ido melhor em alguns lances.
No segundo tempo, Erick Pulga passou com facilidade pela defesa azulina e foi derrubado por Patrick dentro da área. Na cobrança do pênalti, Marcelo Rangel fez a defesa e manteve o Remo vivo na partida, em um momento que poderia ter mudado completamente o rumo do jogo.
Desta vez, o ataque eficiente do Remo encobriu os problemas defensivos. Esse ainda é um ponto que precisa ser corrigido por Léo Condé.
Agora, o Brasileirão terá uma pausa por conta da Data-Fifa, período reservado para jogos de Seleções. O Remo volta a campo pela competição no dia 02/04, contra o Santos (SP), fora de casa. Antes disso, estreia na Copa Norte/Verde, na quinta-feira (26/03), diante do Porto Velho (RO), em Rondônia.
A equipe deve poupar os titulares e Condé terá, enfim, terá tempo para “trocar as peças do carro” e trabalhar com mais calma após assumir a equipe, agora com um ambiente mais tranquilo e menos pressão.
Globo Esporte.com, 23/03/2026


