“É meio que trocar pneu com carro andando”, disse o técnico Léo Condé, em sua primeira coletiva pós-jogo, após a derrota para o Fluminense (RJ), na quinta-feira (12/03).
Porém, 3 dias depois, no domingo (09/03), depois de perder novamente, desta vez para o Coritiba (PR), a impressão que fica é que o “carro” azulino precisa trocar bem mais que um pneu.
No que cabe ao treinador, ele de fato mudou – ou tentou. Na escalação inicial, foram duas mexidas de um jogo para o outro. A primeira por necessidade, já que o volante Patrick de Paula levou o 3º cartão amarelo e precisou cumprir suspensão – o outro Patrick do elenco foi o escolhido. No ataque, a maior mudança – João Pedro foi sacado por opção técnica, dando lugar a Jajá.
Assim, os titulares iniciaram a partida contra os paranaenses com: Marcelo Rangel; João Lucas, Marllon, Duplexe Tchamba e Sávio; Zé Ricardo, Leonel Picco, Patrick e Vitor Bueno; Jajá e Alef Manga.
Foi justamente com Jajá, por vezes caindo pela direita, outras mais centralizado, que o Remo tentou levar perigo no início do jogo, mas esbarrou em um dos seus adversários na partida – a falta de pontaria. As finalizações não encontravam a direção do gol!
Por outro lado, a defesa sofria com a velocidade do ataque adversário, formada por um trio móvel com Breno Lopes, Ronier e o ex-azulino Pedro Rocha. Foi na base da insistência, pelo lado esquerdo, que o Remo contou com um erro de Sávio, que se atrapalhou na saída de bola e deixou com JP Chermont, que cruzou na medida para Pedro Rocha abrir o placar.
O gol mexeu com o Remo que, se não bastasse, ainda perdeu João Lucas, que não vinha bem no jogo, mas pode ser problema por mais tempo, pois sentiu um problema no joelho direito. Marcelinho, o substituto, teve até bons momentos dali para o final do jogo.
A defesa seguiu dando bobeira, mas contou com Marcelo Rangel, esperto, antecipando o ataque do Coritiba (PR) ao sair do gol e até da área. Aliás, o goleiro foi importante para manter o Leão vivo no jogo, quando fez milagre em cabeceio de Sebastian Gómez, salvando em cima da linha.
Voltando a frase dita por Léo Condé para destacar a volta do intervalo. O treinador optou por tirar Sávio, que havia errado no gol, e colocou o zagueiro Kayky. Esse movimento repetiu algo feito por Juan Carlos Osorio – e criticado pela torcida – de improvisar na lateral-esquerda ou não colocar um jogador de origem. Mesmo com Braian Cufré no banco, Duplexe Tchamba foi deslocado do miolo de zaga para a lateral-esquerda.
É, talvez não seja só sobre trocar o pneu do carro…
Importante reconhecer que o Remo voltou para campo com outra postura, tanto que finalizou mais e teve posse superior na etapa final. Ainda sim, Kayky precisou se atirar no chute de Ronier, que aproveitou rápido contra-ataque dos donos da casa.
Aos 12 minutos, o torcedor até teve o gosto de gritar gol, mas Alef Manga estava impedido. Aliás, centralizado ou caindo pelo lado esquerdo, o atacante bem que tentou, mas não conseguiu ser efetivo nas oportunidades que teve.
Saiu dos pés de Vitor Bueno, aos 17 minutos, o único chute na direção do gol dos mais de 10 dados pelo Remo em todo o jogo. Foi uma boa chance, que o goleiro Pedro Rangel defendeu, mas pouco, muito pouco, para uma equipe que ainda não venceu após 6 rodadas.
Trabalhando com o que tem à disposição, Léo Condé lançou Zé Welison, Jaderson e Yago Pikachu no jogo, mas ninguém conseguiu dar alguma resposta diferente a não ser Marcelinho, aos 39 minutos, que passou perto de marcar, mas parou em Pedro Rangel – e na falta assinalada pelo contato do goleiro com Alef Manga.
Sem conseguir marcar, o Remo chegou ao 3º jogo seguido sem balançar as redes – sendo 2 pelo Brasileirão. Na Série A, o jejum de 6 jogos sem vencer incomoda, óbvio, e o desafio de trocar o pneu com carro andando se torna muito maior com a falta de resultados positivos.
Globo Esporte.com, 16/03/2026


