Leão teve 61% de posse, criou quase 3 vezes mais finalizações que o Coritiba-PR e chegou a virar o jogo, mas novamente pagou caro pela falta de eficiência.
Da redação do Remo 100%, em 01/09/2026
Os números mostram um Remo que teve mais a bola, atacou muito mais e passou boa parte da partida no campo adversário. O placar, porém, mostrou justamente o contrário do que essa superioridade poderia sugerir.
Na derrota por 3 a 2 para o Coritiba (PR), segunda-feira (31/08), no Mangueirão, o Leão teve 61% de posse de bola e 32 finalizações, contra apenas 11 do adversário.
Criou, pressionou, conseguiu virar o jogo no segundo tempo e chegou a viver seu melhor momento na partida quando vencia por 2 a 1. Ainda assim, saiu de campo sem nenhum ponto.
É a contradição que continua pesando na campanha azulina – o Remo produz, mas a conta não fecha.
O problema não foi chegar ao ataque
Desta vez, dificilmente a falta de iniciativa pode ser apontada como explicação para a derrota. Das 32 conclusões do Remo, 20 foram realizadas de dentro da área. O Coritiba (PR) teve somente 7 nesse mesmo setor.
O volume ofensivo foi evidente:
Posse de bola – Remo 61% × 39%
Finalizações – Remo 32 × 11
Chutes dentro da área – Remo 20 × 7
O Leão conseguiu empurrar o adversário para trás em diferentes momentos e encontrou maneiras de chegar à área. Faltou transformar toda essa produção em gols suficientes para decidir a partida.
Volume não significa necessariamente qualidade
Os 32 chutes impressionam, mas o número bruto também precisa ser colocado em perspectiva.
Segundo a análise do Globo Esporte, o Remo terminou o primeiro tempo com 15 finalizações, mas obrigou o goleiro Pedro Morisco a fazer apenas uma defesa.
Essa diferença ajuda a explicar por que o domínio estatístico não apareceu no placar. O Remo encontrou caminhos para chegar ao último terço e conseguiu finalizar repetidamente, mas muitas dessas jogadas terminaram em chutes para fora, bloqueados ou executados em condições pouco favoráveis.
Galeano foi um bom exemplo. Muito acionado em sua primeira partida como titular, o paraguaio apareceu diversas vezes para concluir, mas teve dificuldade justamente na execução da última ação.
Nesse sentido, o problema vai além da pontaria. Produzir mais também exige escolher melhor!
Eficiência fez a diferença
É quando se compara quantidade e resultado que aparece a principal diferença da noite. O Remo precisou de 32 finalizações para marcar 2 vezes, enquanto o time paranaense fez 3 gols em apenas 11 tentativas.
A diferença também apareceu nas grandes oportunidades. As duas equipes produziram 3 chances consideradas claras, mas o aproveitamento adversário foi superior.
Até mesmo o segundo gol azulino ilustra uma noite de dificuldade na conclusão. Yago Pikachu cobrou o pênalti, viu Pedro Morisco defender e só conseguiu colocar a bola na rede aproveitando o rebote.
Pouco depois, quando o Remo vivia seu melhor momento e buscava ampliar o 2 a 1, foi o Coritiba (PR) quem conseguiu voltar a marcar.
Galeano simboliza dificuldade na conclusão
Galeano foi um dos jogadores mais participativos do ataque azulino e também um exemplo do problema enfrentado pelo Remo. O paraguaio terminou a partida com 6 finalizações, mas apenas 1 encontrou a direção do gol.
Ainda no primeiro tempo, teve uma oportunidade clara quando apareceu livre dentro da área, mas mandou por cima. Depois, conseguiu finalizar rasteiro e obrigou Pedro Morisco a fazer a defesa.
Foi uma atuação de presença constante no ataque, mas sem a eficiência necessária para transformar participação em gol.
Galeano não esteve sozinho. Durante os 90 minutos, diferentes jogadores encontraram espaço para finalizar, mas boa parte das tentativas terminou para fora ou bloqueada pela defesa.
Nem sempre a melhor decisão apareceu
A falta de eficiência não ficou restrita às finalizações. Na reta final da partida, por exemplo, Alef Manga recebeu em situação ofensiva e tinha a possibilidade de servir Gabriel Taliari em condição mais favorável, mas preferiu tentar a conclusão mesmo com pouco ângulo.
É um lance que ajuda a traduzir um problema maior. Em vários momentos, o Remo conseguiu construir a jogada até uma região perigosa, mas não tomou a melhor decisão na ação final.
Por isso, as 32 finalizações precisam ser analisadas junto com a qualidade dessas oportunidades. O volume mostra que a equipe conseguiu atacar, mas o baixo aproveitamento mostra que ainda falta transformar essa produção em chances mais limpas – e essas chances, em gols.
Zé Ricardo transforma posse em perigo
Se a noite terminou frustrante, Zé Ricardo voltou a aparecer entre os destaques individuais. Além de marcar um belo gol para empatar a partida, o volante participou diretamente da construção ofensiva e conseguiu transformar a posse azulina em ações de perigo. Foram 5 finalizações, além de boa participação na circulação da bola e na criação.
O gol foi a síntese de sua atuação. Zé Ricardo recebeu pela esquerda, avançou sobre a defesa, deixou dois marcadores para trás e finalizou com força para iniciar a reação que, poucos minutos depois, levaria o Remo à virada.
Tchamba também aparece bem
Duplexe Tchamba teve outra atuação de destaque e participou diretamente do gol de Zé Ricardo, dando a assistência para o volante. O zagueiro camaronês também apresentou segurança na saída de bola e nos duelos individuais.
Porém, o desempenho de alguns nomes não conseguiu evitar novamente o problema coletivo que mais preocupa. Se o ataque desperdiçou demais, a defesa permitiu que um adversário com volume muito menor marcasse 3 vezes.
A outra parte da conta
Se o Remo pecou na hora de decidir os ataques, o problema também apareceu quando precisou interromper as poucas investidas do adversário.
No segundo gol do Coritiba (PR), a jogada começou após uma saída errada de Marcelinho e terminou com Fabinho livre na área para empatar. No gol decisivo, já nos acréscimos, o Remo teve oportunidades para interromper a transição antes que Sebastián Gómez encontrasse Pedro Rocha em condição de finalizar.
É justamente aí que a diferença entre volume e eficiência fica ainda mais evidente. Enquanto o Remo precisou de 32 finalizações para marcar 2 vezes, o time paranaense fez 3 gols em apenas 11 tentativas.
Não foi simplesmente uma questão de azar ou de um goleiro adversário inspirado. O Leão desperdiçou situações ofensivas, tomou decisões ruins em momentos importantes e, quando o Coritiba (PR) encontrou espaço, não conseguiu impedir que as jogadas se transformassem em oportunidades muito mais efetivas.
A conta, portanto, não fecha nos dois lados do campo!
Jogar bem já não é suficiente
A atuação oferece argumentos para acreditar que o Remo ainda pode competir. O próprio Pikachu classificou o confronto como, em termos de jogo, a melhor apresentação azulina neste Brasileirão. O resultado, entretanto, cobra outra reflexão.
Restam 13 rodadas, o Remo permanece na 19ª colocação, com 23 pontos, e a margem para transformar boas apresentações em resultados está diminuindo.
Contra o Coritiba (PR), havia ainda um agravante – uma vitória seria suficiente para tirar o Leão do Z4. O time chegou a estar vencendo por 2 a 1, mas terminou a noite novamente sem pontuar.
Contra o Flamengo-RJ, o desafio aumenta
A próxima oportunidade será novamente no Mangueirão, domingo (06/09), às 16h, contra o Flamengo (RJ). Se repetir a capacidade de criação mostrada contra os paranaenses, o Remo terá um bom ponto de partida. Entretanto, diante de um adversário ainda mais forte, desperdiçar tantas oportunidades e conceder espaços defensivos pode ter um custo ainda maior.
O Leão não precisa abandonar o futebol apresentado na última rodada. Precisa fazer com que ele finalmente produza aquilo que realmente muda a situação na tabela. Porque, na luta contra o rebaixamento, domínio sem eficiência não vale ponto!
Com informações de Diário Online.


