No período em que o Remo afundava em derrotas na Série A, um aspecto chamava atenção – o apagão criativo de jogadores conhecidos pela qualidade técnica.
Vitor Bueno, Patrick e Yago Pikachu são figuras exemplares desse momento crítico. Hábeis e produtivos no setor ofensivo, ambos não conseguiam jogar direito, contribuindo para a fase errática do time.
Bastou um técnico “normal” assumir o comando para, em poucas partidas, o Remo adquirir um formato de organização que andava ausente desde a estreia no Brasileirão. Léo Condé estreou contra o Fluminense (RJ), ainda sem conhecer direito a equipe. A partida se revelou desastrosa para o Remo, amplamente dominado dentro do Mangueirão.
A partir do jogo contra o Coritiba (PR), 4 dias depois, um novo time começou a surgir, praticamente sem mudanças de peças. A única novidade era a organização do meio-campo, com influência direta sobre o funcionamento do ataque.
Patrick ganhou espaço na equipe por ter a confiança de Condé como um volante do tipo “caçador”, que não fica posicionado esperando para dar o bote. Ele sai no encalço dos jogadores que avançam sobre sua faixa de atuação. No começo, sem ritmo, o desentrosamento falou mais alto e o jogador teve dificuldades em atuar com os companheiros.
A outra mudança foi no setor de criação, onde Vitor Bueno ficou liberado para ir de uma intermediária a outra, aparecendo também como uma peça do tabuleiro ofensivo. Logo contra o time paranaense já arriscou finalizações, aparecendo várias vezes ao lado dos atacantes no jogo contra o Flamengo (RJ).
Diante do Bahia (BA), ele se tornou peça fundamental na armação do Remo a partir do meio-campo. Conduziu a bola, acionou os companheiros de ataque e marcou um golaço. As participações nos gols de Gabriel Taliari revelam um jogador mais confiante e antenado.
No lance do 3º gol azulino, o mais bonito da goleada, Bueno atacou a bola junto à linha da grande área e foi inventivo ao descobrir Taliari entrando nas costas da zaga. O passe veio na forma de bola alçada no “ponto futuro”, surpreendendo a marcação e deixando o atacante à vontade para marcar.
Yago Pikachu, que vinha apresentando um desempenho abaixo do esperado sob o comando de Juan Carlos Osorio, recuperou a confiança ao atuar no espaço que sempre foi seu, o lado direito do ataque. Com a ajuda de Marcelinho e Zé Ricardo, tornou-se peça de destaque avançando com velocidade sobre o lado esquerdo da defesa baiana.
São caminhos que se descortinam para o Remo em curtíssimo espaço de tempo. Condé está conhecendo melhor o elenco e isso será de grande importância para fortalecer o jogo coletivo da equipe a partir de agora.
Blog do Gerson Nogueira, 24/03/2026


