O apelido de Guto Ferreira quase não foi explorado pela imprensa paraense e nem mesmo pelos torcedores do Leão nas redes sociais. Pesou a preocupação em não cometer “gordofobia”, mas o técnico azulino curte ser chamado de “Gordiola” – alusão a Pepe Guardiola – e sente-se homenageado pelo apelido que ganhou do jornalista Flávio Prado, em 2014, quando fazia sucesso na Ponte Preta (SP).
Guto Ferreira conquistou a todos com sua competência profissional, manifestações de humildade e sua religiosidade. Merece admiração também pela irreverência que o faz descartar “bullying” no apelido e lidar de forma natural com o seu tipo físico, sem qualquer vitimização em alegações de preconceito.
Wagner “Xuxa”, Rosemiro “Patinho Feio”, Durval “Fuscão Preto”, Alcino ” Negão Motora”, Jorge “Baleia”, Alfredinho “Jabuti”, Ney “Sorvetão”, Ageu “Sabiá”, Evandro “Mosquito Elétrico”, Mário “Bocão”, Agnaldo “Seu Boneco”, Wellington “Saci”, Yago “Pikachu”, Paulo Henrique “Ganso”, Daniel “Papaléguas”… Apelidos alusivos à aparência física no futebol paraense.
Desses, Agnaldo faz questão de dizer que entranha ao ser chamado pelo nome e se sente feliz ao ser chamado de “Seu Boneco”. Em Recife (PE), como atleta do Sport (PE), era Agnaldo “Bambam”. Essa postura de Agnaldo é a mesma de Guto Ferreira, não só aprovando, como curtindo o apelido.
Considerando a época do “politicamente correto”, é importante a reação de quem rejeita qualquer apelido no futebol, como em qualquer outro espaço social.
Ferreira diz que o apelido “Gordiola” serviu para aproximá-lo do público, especialmente das crianças. Serviu também para mudar seu comportamento. O homem antes sizudo tornou-se simpático, acessível, consciente da importância de ter postura popular.
O futebol cumpre bem a função pedagógica de educar pessoas com punições ao clube do coração. Racismo, homofobia e xenofobia são ofensas muito expostas no ambiente do futebol, onde as pessoas se mostram como são na essência.
Coluna de Carlos Ferreira, O Liberal, 29/11/2025


