Paulo Bonamigo
Paulo Bonamigo

O Clube do Remo voltou a se impor no Campeonato Brasileiro da Série C, com uma boa sequência de vitórias, e restabeleceu um padrão de jogo, após um periodo desagradável sem triunfos e com perspectivas desanimadoras na competição.

Um nome é responsável pela repaginada e ascensão da equipe azulina: Paulo Bonamigo, técnico escolhido a dedo para tirar do papel o sonhado acesso à Série B, tendo o diferencial ainda de uma extrema identificação com os azulinos por causa da sua passagem produtiva pelo Baenão em 2000, ano em que comandou o Leão na Copa João Havelange.

Na ocasião, Bonamigo conseguiu levar o time paraense à 16ª posição, à frente de Santos (SP), Botafogo (RJ) e Flamengo (RJ), por exemplo. Passados 20 anos e agora com um cenário totalmente diferente no clube, mas sendo um técnico mais experiente, Bonamigo acredita que voltou no momento certo.

“Tivemos os últimos 2 anos com a possibilidade de vir, mas não era a ocasião. Dessa vez, a situação tinha um projeto sólido de trabalho”, explicou.

Em um resgate daquela campanha de 2000, quais os pontos em comum e as diferenças encontradas nesta sua segunda passagem pelo comando técnico do Remo?

A diferença é muito grande, porque na Copa João Havelange consegui fazer um trabalho desde o início da competição. Tivemos um tempo e construimos um início de trabalho. Fomos crescendo dentro da competição. Agora é diferente, cheguei em uma situação emergencial, o time com uma construção, novas ideias, das quais a gente está mantendo parte das que foram feitas pelo (ex-técnico) Mazola. É um novo ciclo, 20 anos se passaram, é um novo tipo de futebol, mais intenso, uma torcida cada vez mais apaixonada.

Como o senhor avalia sua carreira desde a saida do Remo? A passagem pelo futebol exterior agregou?

Realmente, todo intercâmbio, e aí contestando muito que normalmente a cultura do futebol brasileiro e principalmente a imprensa acha, que o treinador quando sai para o mundo árabe visa somente a questão financeira, na verdade, ele tem um crescimento, porque enfrenta várias escolas dentro do Golfo. Lá tem treinadores italianos, que jogam um futebol bem reativo; treinadores portugueses e espanhóis, que propõem o jogo. Treinadores que disputam a Premier League, a Copa do Mundo com a Croácia, isso engrandece o profissional. No futebol brasileiro, tive trabalhos excelentes com Coritiba (PR), Botafogo (RJ).

Qual tem sido a sua principal missão nessa sua volta ao Leão para ajudar o time a garantir o acesso?

É tentar a cada dia informar e passar que não podemos entrar em zona de acomodação. É tentar crescer. Evolução contínua, conseguir os resultados, mas com correção. Precisamos ter uma equipe mais equilibrada, constante, e manter uma intensidade maior no jogo para ser efetivo. O Remo está em busca dessa melhora.

Por não ter montado o atual plantel, em sua opinião, o que se torna mais difícil: se adaptar às características dos jogadores ou os jogadores à sua filosofia?

Estou procurando o que estava propondo em termos de plataformas de jogo. Em termos de modelo de jogo, estou procurando implantar meu modelo de ideias e conceito e a forma de treinar do jeito que gosto. Do jeito que quero ver minha equipe marcando, jogando. Isso a gente consegue dentro da semana e modulando. Criando sempre alternativas para não ser uma equipe previsível, porque o estudo hoje é constante.

Na sua apresentação, o senhor disse que queria ser um facilitador com os objetivos do time e, para isso, usaria muito do trabalho psicológico. Como isso influencia em um grupo misto de experiência e juventude?

O fator emocional é importante dentro do esporte coletivo, não só no futebol, mas na questão do vôlei, do basquete, do tênis. Hoje, sua vitória está construída muito em cima da sua mente, em cima dos sabotadores, em cima da cabeça do atleta em querer tirar a confiança. Temos que lutar o dia todo para mentalizar, tornar a mente positiva. Só assim vamos ter nossas realizações.

Diário do Pará, 18/10/2020

12 COMENTÁRIOS

  1. O Remo não deveria jogar fora com o mesmo esquema que joga em casa. Fora de casa, o time tem que ser montado para o contraque, no 4-4-2 com marcação forte no meio e velocidade na transição, uma vez que os adversários vêm pra cima pra jogar nos erros do Leão, quando deveria ser o contrário. Também já estou de saco cheio de improvisações no ataque quando não há necessidade. O Bonamigo tem que definir logo esse centrovante e deixar o Eduardo Ramos na posição dele pra se revezar com o Carlos Alberto, já que nenhum dos dois suporta os 90 minutos.

    • Neste campeonato, sem público nos estádios, jogar “em casa” ou “fora de casa” não pesa tanto assim.
      O que tem de ocorrer, é o padrão de jogo. Manter a postura ofensiva e, a atenção total nos adversários, do início ao fim.

  2. Eduardo Ramos não tem intensidade nenhuma, por isso o Remo não conseguiu marcar sobre pressão a saída de bola do ferrin. O ataque tem que ser composto por jogadores que tenham capacidade e condições de intensidade, foi essa forma de jogar que deu a sequência de três vitórias consecutivas ao Remo. Infelizmente isso não pôde ser repetido onde, porque o Eduardo não tem mais condições físicas de jogar dessa forma. Por isso não pode mais ser titular, o sistema de jogo do Bonamigo não adimite jogadores com a confirmação física do ER.

  3. Este jogador Gelson é muito fraco e errou muitos passes, não treinam marcação serrada e finalização de gol?
    Com oportunidade de troca de Cinco jogadores já vai planejando as trocas em cima da fraqueza do adversário e se usa as cinco trocas em um jogo intenso procurando dominar o meio campo. É difícil? Contrata que a fase difícil vai chegar.

  4. Realmente, o ER é um bom jogador mas não mais prá 90 min. Aquela jogada em que ele entrou pela esquerda e, caindo, chutou em cima do goleiro. Se não tivesse cansado teria melhor equilíbrio e velocidade , ficando, em seguida, numa posição de chute indefensável para o goleiro do Ferroviário.

  5. Finalmente a ficha caiu !!! Parabéns a todos pelas analises feitas, já venho batendo nessa tecla a algum tempo aqui, é uma pena que isso aconteceu só agora….
    Mas o nosso Leão é muito maior que qualquer jogador, dirigente e até mesmo torcedor.

  6. ERAMOS nao tinha condiçoes de jogar 90minutos foi um erro,mas tudo bem o resultado poderia ser um empate perdemos muito gols 2 tempo,agora uma coisa que esta preocupando sao os gols de escanteios que estamos tomando direto a derrota para Scruz foi de um escanteio,pegamos um da mucura e sabado outro ta na hora de acertar isso dai treinar os zagueiros e cabeças de are subirem nessa bola de escanteio.

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