
Medidas passam a valer a partir da próxima rodada e estabelecem limites para reposições e substituições, afastamento após atendimento e novas possibilidades de intervenção do VAR.
Da redação do Remo 100%, em 11/08/2026
O Remo terá novidades nas regras de arbitragem a partir do confronto com o Internacional (RS), na segunda-feira (17/08), às 20h, no estádio Beira-Rio. O clube participou da reunião promovida pela Confederação Brasileira de Futebol (CBF) que aprovou um conjunto de medidas para reduzir a cera, controlar a pressão sobre os árbitros e aumentar o tempo efetivo das partidas.
As mudanças foram discutidas nesta segunda-feira (10/08), no Rio de Janeiro, com representantes dos 40 clubes das Séries A e B. Segundo a CBF, as novas normas serão adotadas imediatamente nas duas principais divisões do Brasileirão, nas Copas do Brasil masculina e feminina e no Campeonato Brasileiro Feminino A1.
Grande parte das medidas foi aplicada pela Fifa durante a Copa do Mundo de 2026. A adoção no futebol brasileiro estava inicialmente prevista para ocorrer até 2028, mas a CBF propôs a antecipação ainda para a atual temporada.
Reposições terão contagem de 5 segundos
Uma das principais medidas estabelece um limite para as cobranças de lateral e tiro de meta. Se o árbitro entender que existe atraso intencional, fará uma contagem visual de 5 segundos para a reposição da bola.
No arremesso lateral, o descumprimento provocará a reversão da cobrança para a equipe adversária. No tiro de meta, a punição será mais pesada – o adversário ganhará um escanteio.
A regra dos 8 segundos para o goleiro permanecer com a bola dominada nas mãos também continuará sendo aplicada. Quando o limite é ultrapassado, o árbitro marca escanteio para o adversário.
Embora algumas publicações tenham incluído essa determinação no pacote anunciado pela CBF, ela não aparece entre as 9 medidas relacionadas pela entidade porque já integrava as regras do futebol desde a temporada 2025/2026. A novidade atual relacionada aos tiros de meta é a contagem de 5 segundos quando houver demora para colocar a bola em jogo.
Substituições precisarão ser mais rápidas
O jogador substituído terá 10 segundos para deixar o campo pela lateral ou linha de fundo mais próxima. A contagem começa com a exibição da placa de substituição ou, quando ela não estiver disponível, a partir do sinal feito pelo árbitro.
Se o atleta demorar além do prazo, ainda terá de sair, mas seu substituto não poderá entrar imediatamente. A equipe permanecerá temporariamente com um jogador a menos, e a entrada será autorizada somente na primeira paralisação após o cumprimento de 1 minuto de jogo.
A norma procura impedir que jogadores atravessem lentamente todo o gramado para consumir tempo nos minutos finais das partidas.
Atendimento deixará atleta 1 minuto fora
Outra alteração determina que o jogador atendido dentro de campo permaneça fora durante 1 minuto após o reinício da partida. A medida será aplicada quando houver atendimento médico ou quando uma possível lesão provocar a interrupção do jogo.
O tempo começará a ser contado somente depois que a bola voltar a rolar. Dessa forma, o período utilizado para organizar a retomada da partida não será considerado no cumprimento da punição.
Também haverá consequência quando o jogador atendido for o goleiro. Como a equipe não pode reiniciar a partida sem alguém na posição, o treinador ou o capitão deverá indicar um atleta de linha para permanecer 1 minuto fora do gramado.
A CBF pretende, com isso, reduzir atendimentos utilizados estrategicamente para interromper o ritmo do adversário ou retardar o andamento do jogo.
Somente o capitão poderá falar com o árbitro
Cada equipe terá apenas um jogador autorizado a se aproximar do árbitro durante as discussões sobre suas decisões. A função caberá ao capitão. Caso o dono da faixa seja o goleiro, poderá ser indicado um jogador de linha para atuar como interlocutor.
Os demais atletas deverão manter distância e poderão receber cartão amarelo se desrespeitarem a determinação. O objetivo é evitar aglomerações e cercos ao árbitro após lances polêmicos.
Outra medida estabelece que cobrir intencionalmente a boca durante uma discussão com um adversário, com o propósito de impedir a leitura labial, será uma conduta passível de expulsão.
A norma ficou conhecida como “Protocolo Vini Jr.” após episódios envolvendo o atacante brasileiro. O gesto não provocará necessariamente um cartão vermelho em qualquer situação – caberá à arbitragem avaliar o contexto e identificar se houve a tentativa deliberada de esconder o conteúdo da discussão.
Segundo amarelo poderá ser revisado pelo VAR
O árbitro de vídeo também ganhará uma nova possibilidade de intervenção. A partir de agora, o VAR poderá revisar um segundo cartão amarelo claramente aplicado de forma incorreta quando ele resultar na expulsão do jogador.
A mudança não permite a revisão de qualquer advertência. O primeiro amarelo continuará fora do alcance do VAR, assim como um possível segundo cartão que não tenha sido mostrado pelo árbitro de campo.
A intervenção ocorrerá somente quando o segundo amarelo tiver sido efetivamente aplicado, provocar a expulsão e as imagens mostrarem um erro claro. Nesse caso, a advertência e, consequentemente, o cartão vermelho poderão ser anulados.
Revisão de escanteios fica para 2027
A possibilidade de revisar escanteios concedidos equivocadamente também foi aprovada, mas não será aplicada imediatamente no Campeonato Brasileiro.
A partir de 2027, o VAR poderá alertar o árbitro quando identificar rapidamente que um escanteio foi marcado de forma claramente errada. A correção deverá ocorrer antes da cobrança e sem atrasar o reinício da partida.
A regra oficial, portanto, não prevê esperar o escanteio resultar em gol ou pênalti para revisar a origem do lance. A intervenção deverá acontecer imediatamente, enquanto ainda for possível reverter a decisão antes da reposição.
CBF quer recuperar mais de 6 minutos por jogo
As mudanças foram definidas após um estudo elaborado pela CBF Academy com dados da Opta Stats Perform. A análise mostrou que, antes da paralisação para a Copa do Mundo, as partidas da Série A tinham média de 52 minutos e 54 segundos de bola em jogo.
O número estava abaixo das principais ligas europeias e distante da meta de 60 minutos perseguida pela Fifa. Segundo a CBF, ajustes nas reposições, nos atendimentos médicos, nas marcações de faltas e nas checagens do VAR podem recuperar aproximadamente 6 minutos e 22 segundos por partida.
A estimativa da Fifa para o conjunto de normas testado na Copa é de um ganho médio de 5 minutos e 49 segundos de bola rolando.
Para o Remo, a aplicação começa em um confronto importante na luta contra o rebaixamento. O Leão ocupa a 19ª posição do Brasileirão, com 22 pontos, enquanto o Internacional (RS) aparece em 16º, com 23. Além do peso direto na tabela, o jogo no Beira-Rio será o primeiro da equipe azulina sob os novos protocolos de arbitragem.
Com informações da CBF e da International Football Association Board (IFAB).

