Executivo diz que reformulação deixou cerca de R$ 12 milhões em compromissos e reconhece que situação financeira limitou novas contratações durante o Brasileirão.
Da redação do Remo 100%
A reformulação promovida pelo Remo durante a disputa da Série A teve um custo que continuou pesando sobre o Departamento de Futebol ao longo da temporada. Em entrevista a O Liberal, o executivo Luís Vagner Vivian revelou que as rescisões realizadas pelo clube representaram aproximadamente R$ 12 milhões em compromissos financeiros e reconheceu que o cenário limitou a busca por mais reforços.
Vivian assumiu o futebol azulino durante o Campeonato Brasileiro e encontrou um elenco que, em sua avaliação, tinha jogadores em quantidade suficiente, mas apresentava carências técnicas para a disputa da competição.
“Quando cheguei, o elenco era numeroso, mas faltava qualidade”, resumiu o executivo ao explicar o diagnóstico feito no início do trabalho.
A resposta foi uma ampla movimentação no grupo. Segundo o dirigente, 21 atletas deixaram o Remo, enquanto 12 jogadores foram contratados e o jovem Tico foi promovido das categorias de base.
Mesmo depois de tantas mudanças, Vivian admite que gostaria de ter acrescentado mais opções ao elenco.
Rescisões pesaram no orçamento
A dificuldade não estava apenas em encontrar jogadores disponíveis no mercado. O Remo também precisou administrar financeiramente a saída dos atletas que não permaneceriam no projeto.
As rescisões não significaram o encerramento imediato das obrigações, porque os acordos estabeleceram pagamentos que continuaram repercutindo no caixa.
“A questão financeira realmente pesa”, reconheceu Vivian.
De acordo com o executivo, os compromissos decorrentes das rescisões alcançaram aproximadamente R$ 12 milhões. Com isso, parte do orçamento que poderia ser direcionada ao fortalecimento do elenco passou a ser utilizada para cumprir acordos relativos a jogadores que já haviam deixado o clube.
Vivian explicou que esse passivo precisa ser considerado antes de qualquer nova movimentação.
“Você não pode simplesmente rescindir com um atleta e achar que aquele valor desapareceu”, explicou o dirigente ao abordar o impacto financeiro da reformulação.
Remo queria mais reforços
Quando assumiu o Departamento de Futebol, Vivian projetava uma reformulação expressiva. O clube acabou promovendo 21 saídas e realizou 12 contratações, além de incorporar Tico ao elenco profissional. Ainda assim, o executivo considera que o grupo poderia ter recebido mais um ou dois jogadores.
“Se tivesse condição financeira, talvez a gente trouxesse mais um ou dois atletas”, admitiu.
O limite não foi apenas uma decisão técnica sobre o tamanho do elenco. O Departamento precisou equilibrar a necessidade de corrigir deficiências identificadas durante o próprio Campeonato Brasileiro com a capacidade financeira do clube.
A situação ajuda a dimensionar o desafio enfrentado pelo Remo em 2026 – ao mesmo tempo em que precisava tornar o elenco mais competitivo para a Série A, continuava pagando parte do custo das escolhas feitas anteriormente.
Reformulação aconteceu com campeonato em andamento
As mudanças também tiveram de ser realizadas sem o benefício de uma pré-temporada.
Vivian chegou com a competição em andamento e precisou avaliar o grupo, negociar saídas, buscar substitutos e entregar novas opções à comissão técnica enquanto os pontos continuavam em disputa.
O processo ocorreu ainda em uma temporada marcada por mudanças no comando técnico. O Remo começou 2026 com Juan Carlos Osorio, passou posteriormente por Léo Condé e agora tem Thiago Carpini na tentativa de evitar o rebaixamento.
Com a reformulação praticamente encerrada e a janela de transferências fechada, o momento agora é de cobrar resposta do grupo montado.
Resposta terá de vir nas 10 rodadas finais
A pausa provocada pela Data Fifa ofereceu a Carpini um período incomum para trabalhar com os jogadores que terá à disposição na reta final.
Não há mais espaço para uma nova reformulação significativa. O desafio do Remo passa a ser transformar em resultado o investimento feito e as mudanças promovidas ao longo do ano.
O Leão retorna ao Campeonato Brasileiro nesta quarta-feira (07/10), contra o Grêmio (RS), no Mangueirão, para iniciar uma sequência de 10 partidas que definirá sua permanência ou não na Série A.
Depois de 21 saídas, 12 contratações, mudanças no comando técnico e aproximadamente R$ 12 milhões em compromissos relacionados às rescisões, a reformulação feita durante a competição terá sua avaliação mais importante justamente nesse trecho final.
Com informações de O Liberal.


