Remo 0×1 Cruzeiro-MG (Zé Ricardo) – Foto: Samara Miranda (Clube do Remo)
Remo 0×1 Cruzeiro-MG (Zé Ricardo) – Foto: Samara Miranda (Clube do Remo)

Nem o peso das arquibancadas lotadas e a atmosfera tradicionalmente hostil do Baenão foram suficientes para evitar um resultado amargo – o Clube do Remo acabou saindo de campo derrotado pelo Cruzeiro (MG), viu cair um tabu histórico de invencibilidade em casa contra a equipe mineira e ainda complicou sua situação no Brasileirão.

Mesmo atuando fora de casa, os visitantes impuseram seu ritmo desde os primeiros minutos, valorizando a posse de bola e controlando as ações no Baenão, enquanto os azulinos apostaram em transições rápidas, tentando explorar os espaços deixados pela equipe adversária, mas encontrou dificuldades para se organizar ofensivamente e pouco ameaçou a meta defendida pelo goleiro Matheus Cunha ao longo da etapa inicial.

O jogo começou em alta intensidade, com o Remo buscando pressionar. Logo no primeiro minuto, Jajá sofreu falta, dando o tom de um início movimentado. Yago Pikachu tentou surpreender em cobrança direta, mas mandou por cima do gol.

O Leão ainda teve outra oportunidade em bola parada após jogada de Marcelinho, mas a defesa cruzeirense conseguiu se reorganizar.

Com o passar dos minutos, o Cruzeiro (MG) passou a dominar as ações. Tentando acelerar o jogo, buscou ligações diretas com Kaio Jorge, mas a defesa remista – com destaque para Marllon – conseguia neutralizar as investidas iniciais.

O Remo respondeu em uma escapada pela esquerda com Jajá, que encontrou Gabriel Poveda, a jogada quase sobrou para Marcelinho, que não conseguiu concluir.

Aos poucos, o jogo ficou mais truncado, com faltas e disputas físicas. Christian parou Marcelinho com falta pela direita, enquanto o Cruzeiro (MG) seguiu rondando a área azulina.

Em uma jogada perigosa, Kauã cruzou e obrigou o goleiro Marcelo Rangel a se antecipar para evitar o perigo. Pouco depois, um recuo errado de Kauã quase terminou em gol contra para o Leão, com a bola passando rente à trave.

O Cruzeiro (MG) chegou com ainda mais perigo aos 28 minutos, quando Bruno Rodrigues disputou bola na área, mas Marcelo Rangel brilhou ao evitar o gol.

O Remo tentou responder e chegou a balançar as redes em lance com Yago Pikachu e finalização de Jajá, mas a arbitragem já havia marcado falta no goleiro adversário, anulando a jogada.

A insistência cruzeirense foi recompensada aos 33 minutos. Pela esquerda, Arroyo teve liberdade para avançar, passou pela marcação de Duplexe Tchamba e finalizou cruzado, sem chances para Marcelo Rangel, abrindo o placar no Baenão.

Após o gol, o cenário pouco mudou. O time mineiro manteve o controle da partida, enquanto o Remo seguiu encontrando dificuldades para articular jogadas ofensivas. No meio-campo, Zé Welison tentou acionar Zé Ricardo em levantamento, mas o volante não conseguiu dominar.

Nos minutos finais, Marcelinho acionou novamente Zé Ricardo, que se adiantou demais, cometeu falta em Romero e acabou advertido com cartão amarelo.

Na volta do intervalo, o Remo tentou mudar o panorama da partida e partiu para cima logo nos primeiros instantes. Em uma das primeiras investidas, a bola foi alçada na área e Zé Ricardo caiu após choque com a marcação, mas a arbitragem mandou o jogo seguir, gerando reclamação dos azulinos.

Apesar da postura mais agressiva, quem levou perigo primeiro foi a equipe visitante. Kaiki cruzou com veneno e a bola atravessou toda a pequena área sem encontrar desvio. Na sequência, o Remo respondeu em levantamentos com Marcelinho e Mayk, mas a defesa mineira se manteve sólida.

A partida ganhou em intensidade, com o Remo rondando mais o campo ofensivo. Patrick chegou à linha de fundo e a bola sobrou para Jajá, que finalizou para fora, desperdiçando boa oportunidade. Na sequência, Pikachu quase apareceu livre na segunda trave, mas não conseguiu completar.

Por sua vez, o time cruzeirense adotou postura mais reativa, mas não deixou de assustar. Romero arriscou de fora da área, exigindo defesa segura de Marcelo Rangel. Em outra boa chance, Arroyo recebeu dentro da área e finalizou de canhota, parando novamente no goleiro remista.

As mudanças começaram a alterar o ritmo do jogo. O técnico azulino promoveu as entradas de Jaderson, Leonel Picco, Diego Hernandez e João Pedro, buscando mais presença ofensiva.

A reta final foi marcada por pressão do Remo e tentativas de administrar o resultado por parte do Cruzeiro (MG), tanto que o goleiro Matheus Cunha chegou a ser advertido por retardar o jogo. Mesmo assim, a melhor chance continuou sendo da equipe visitante, quando Arroyo chegou a balançar as redes após boa jogada, mas o lance foi anulado por impedimento.

Nos minutos finais, o Remo aumentou o volume e quase chegou ao empate. Em cobrança de escanteio de Diego Hernandez, a bola sobrou para Alef Manga, que arriscou de fora da área para boa defesa de Matheus Cunha.

Nos acréscimos, após novo levantamento, Marcelinho escorou de cabeça e João Pedro ganhou da marcação, mas finalizou para fora, desperdiçando a última grande oportunidade.

Após o apito final, o clima no estádio ficou bastante tenso, com vaias ecoando das arquibancadas e xingamentos direcionados ao técnico Léo Condé, refletindo a insatisfação da torcida azulina com o desempenho da equipe.

Com o resultado, o Leão permaneceu com 8 pontos, ocupando a 19ª posição e atravessando um momento delicado na Série A do Campeonato Brasileiro 2026.

Essa foi a primeira vitória da equipe mineira sobre o Remo em solo paraense, em um duelo cuja história teve início há mais de 5 décadas – em 1972. Até então, o retrospecto em Belém era amplamente favorável ao Leão – em 6 confrontos disputados no Estado, o time remista havia conquistado 4 vitórias e 2 empates.

O confronto também ficou marcado pela forte presença da torcida azulina no Baenão. Ao todo, 11.993 torcedores compareceram ao estádio azulino, sendo 11.019 pagantes e 1.974 gratuidades, gerando uma renda bruta de R$ 708.575,00.

Diário Online, 25/04/2026

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