Jogadores remistas realizam atividade física – Foto: Samara Miranda (Clube do Remo)
Jogadores remistas realizam atividade física – Foto: Samara Miranda (Clube do Remo)

Recentemente, o Flamengo (RJ) pediu ao técnico Leonardo Jardim, então recém-contratado, que apontasse opções para a contratação de um centroavante.

A resposta foi que o clube tem serviço de scout (analistas de desempenho) para essa função e que ele gostaria apenas de opinar sobre nomes propostos. Justificou que todo técnico está de passagem – breve ou não – e o clube corre o risco de contratar um atleta para atender um técnico, pouco tempo depois ser forçado a demitir esse técnico e aquele atleta não se encaixar do time do técnico seguinte.

É ou não é uma postura coerente? A ideia de que o técnico deve apontar os jogadores para contratações deriva da autonomia que dirigentes davam a estes profissionais.

Era comum o técnico ser contratado para um elenco formado sem critérios, só no “achismo” ou até por interesses escusos. Muita coisa já mudou nessa história!

O que mudou?

Os avanços científicos e tecnológicos criaram novos serviços e cargos no futebol. Clubes protagonistas no mercado têm analistas de desempenho e de mercado para levantamento de opções e selecionamento não só por critérios técnicos, físicos e táticos, mas também emocionais e comportamentais.

O executivo é o novo contratante. Obviamente, a opinião do técnico deve pesar nas decisões, mas já não é tão definitiva.

A grande questão é que esse mercado sempre foi prostituído. As mudanças sobre quem decide – ou quem depende de quem para decidir – só criou novos beneficiários nessa estrutura tão viciada.

Em clubes movidos por grande paixão, a necessidade de contratações implica em ansiedade da torcida e da imprensa. Isso é o que os espertalhões precisam para tirar proveito. Não demora para que jogadores recebidos com festa sejam escorraçados com alívio, em grandes prejuízos financeiros para as instituições.

Copas

Qual é o sentido das copas regionais serem disputadas por times reservas ou simplesmente recusadas por seus principais clubes? A questão aqui não está nos vexames de A ou B, mas na viabilização comercial dessas competições, sufocadas dentro de um calendário tão apertado.

Uma alternativa seria a CBF adaptar essas competições à categoria Sub-23, fomentando a revelação de talentos e não conflitando tanto com outras competições mais importantes.

Se a CBF não buscar uma alternativa viável, fatalmente haverá desistência cada vez maior dos clubes mais relevantes para efeito de patrocínio.

Coluna de Carlos Ferreira, O Liberal, 12/04/2026

4 COMENTÁRIOS

  1. O departamento de análise e dempenho falha as vezes na contratação de jogadores daí vem contratações de jogadores de baixa qualidade técnica. O treinador e executivo devem participar no trabalho de contratação…….

  2. O Mundo Ideal?: Na verdade, o Clube deveria ter um projeto de longo prazo em que determinaria qual seria o perfil de jogo q o Clube quer , com diretrizes de condutas intra e extra campo e dentro de sua realidade financeira. Com esse projeto, q incluiria pp desde a formação de base desse Clube, se montaria o melhor q pudesse, um organograma de um departamento de scout e desempenho, subordinado a um diretor, executivo e Presidente. A partir daí, o trabalho desses profissionais dariam primeiro a escolha de um técnico dentro do perfil escolhido pelo clube e seguinte dos jogadores, q podem ser indicados pelo técnico ou sugeridos pelo scout, com a palavra final do Presidente ( Q é quem paga)…mas sempre dentro do dentro do planejamento escolhido pelo Clube. Esse é o Mundo ideal…existe?, ao meu ver NAO!,..tem alguns q tentam se aproximar, e com isso são mais vencedores….mas o q rege a maioria é o achismo, grana, interesses…Se der sorte, de vez em qdo um técnico engrena em algum grupo de jogadores e consegue temporariamente resultados…Nosso Ex: Santana na C para B..Gordiola na B para A

  3. Treinador que pede diretamente a contratação de jogador é coisa do século passado, é fria, acaba em custos altos e pouca entrega (vários come e dorme no elenco) após com troca da comissão técnica. Treinador é o profissional (com contrato temporário) responsável por treinar bem o elenco que tem no clube e formar um time competitivo com variações de esquema táticos para serem aplicados conforme o adversário ou situação de jogo.

    Entendo que em uma gestão moderna de futebol o treinador o conjuntos diretoria, executivo de futebol (e equipe) e comissão técnica tem que ter papéis bem identificados e não podem um atropelar o trabalho do outro. Em resumo:

    – Jogador é patrimônio do clube (não um jogador de treinador) e que pode até levar alto returno de investimento ao clube.

    – Já o treinador é profissional temporário, aquele que vai pedir o recurso (tantos campos para treinar, etc) e posições carentes para compor o time e com características do jogador (ex: Um lateral que jogue nos dois lados ou um volante com perfil de líbero, etc).

    – O executivo de futebol, com suporte da equipe de analistas, vai buscar as opções de acordo com as características pedidas pelo treinador e dentro do orçamento do clube, apresenta ao treinador e a diretoria para em consenso apontarem as melhores opções por posição, e após isso passar a negociar a contratação do jogador.

    – A diretoria garante os recursos pedido, mas dentro do orçamento anual aprovado pelo clube.

Comments are closed.