Leonel Picco – Foto: Samara Miranda (Clube do Remo)
Leonel Picco – Foto: Samara Miranda (Clube do Remo)

A opção por deixar o volante argentino Leonel Picco novamente no banco, desta vez na derrota por 4 a 2 para o RB Bragantino (SP), escancarou um contraste no discurso do técnico Léo Condé.

O treinador do Remo justificou a ausência do jogador, em entrevista concedida após o empate com o Vasco (RJ), no Mangueirão, pela rodada anterior, com base em desempenho recente dos concorrentes diretos no setor.

“A questão do Picco não é em relação a ele, é em relação a merecimento. Zé Welison e Patrick cresceram muito de produção nessas últimas semanas. Como fiz a opção de jogar com uma dupla de volantes, não teria como jogar com o Zé Welison e Picco”, disse.

“Picco é um jogador que a gente vai usar bastante ao longo da competição, mas é mais o momento do Zé (Welison) pedindo passagem. Futebol é merecimento”, disse.

O argumento, porém, esbarra nos números. Leonel Picco é o único jogador do Brasileirão com mais de 20 desarmes e 15 interceptações. São 21 desarmes e 16 interceptações, em 9 partidas, desempenho que o coloca como o principal recuperador de bola da competição.

Antes de perder espaço, o volante teve sequência sólida. Entrou contra o Bahia (BA) e atuou os 90 minutos. Foi titular diante de Santos (SP) e Grêmio (RS), também sem sair de campo. Contra os gaúchos, figurou entre os melhores da partida.

Contra o RB Bragantino (SP), Zé Welison mostrou dificuldades de compactação e deixou espaços excessivos entre as linhas, facilitando as transições rápidas do adversário.

Curiosamente, um dos nomes citados por Condé ao falar em merecimento, Zé Ricardo começou a partida no banco. O treinador iniciou o setor com Patrick, Zé Welison e Jaderson, que substituiu o meia David Braga – que sentiu uma lesão no aquecimento – em uma configuração diferente da adotada em rodadas anteriores.

Entre essas partidas pelo Brasileirão, Leonel Picco ainda atuou durante os 90 minutos contra o Águia de Marabá, pela Copa Norte, mantendo minutagem e ritmo de jogo. Ainda assim, não recuperou espaço na equipe principal.

O cenário criou um debate interno – se o critério é rendimento, o que faltou para Picco continuar como titular?

Em um time que ocupa a parte de baixo da tabela e sofre com instabilidade defensiva, a escolha por deixar no banco o líder da competição em desarmes chama atenção.

Condé reforçou que contará com Picco ao longo da competição, mas neste momento, o discurso de merecimento convive com números que apontam impacto direto do volante quando esteve em campo, uma contradição que segue em aberto no Baenão.

Estado do Pará Online, 20/04/2026

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