Decisão deve atingir duelo com o Grêmio-RS; clube revisa cálculos e diz que dívida pode já estar quitada.
A renda do Remo no confronto contra o Grêmio (RS), nesta quarta-feira (07/10), no Mangueirão, deverá sofrer um bloqueio judicial. A Justiça determinou a penhora de 20% da receita líquida dos próximos jogos e apresentações esportivas do clube para o pagamento de uma dívida cobrada judicialmente.
A determinação ocorre justamente no dia em que o Leão volta ao Campeonato Brasileiro depois da pausa da Data Fifa. Remo e Grêmio (RS) se enfrentam às 19h30, pela 29ª rodada da Série A, com expectativa de bom público no Mangueirão.
A execução foi movida por Hamilton Dias Bordalo contra o Clube do Remo e tramita na 15ª Vara Cível e Empresarial de Belém. O processo tem como base um instrumento de confissão de dívida.
De acordo com informações divulgadas pelo Diário Online, o débito atualizado apresentado na execução é de R$ 959.440,79. Desse montante, R$ 738.601,79 já estariam depositados judicialmente. Considerando esses valores, restaria uma diferença de aproximadamente R$ 220,8 mil.
Percentual chegou a ser reduzido para 10%
A penhora sobre as receitas dos jogos já vinha sendo discutida judicialmente. Inicialmente, a Justiça determinou a retenção de 20% da renda líquida das partidas e apresentações esportivas do Remo. O clube recorreu da decisão e chegou a obter provisoriamente no Tribunal de Justiça do Pará (TJPA) a redução do percentual para 10%.
A medida, entretanto, perdeu efeito após o recurso apresentado pelo Remo ser considerado intempestivo. Com isso, voltou a prevalecer a determinação original de retenção de 20%.
A Justiça também rejeitou o pedido para que o clube complementasse retroativamente a diferença referente ao período em que esteve vigente o percentual de 10%. Dessa forma, a retenção de 20% volta a atingir as novas receitas após o restabelecimento da decisão.
Um detalhe importante é que a determinação incide sobre a renda líquida, ou seja, o valor restante depois das despesas relacionadas à realização das partidas, e não diretamente sobre toda a arrecadação bruta obtida com a venda de ingressos.
Credor aparece há anos nas contas do clube
Hamilton Dias Bordalo possui relação antiga com o Remo e já integrou o Conselho Deliberativo (Condel) azulino. Seu nome também aparece há anos nas demonstrações contábeis do clube entre os credores referentes a empréstimos contraídos.
Nas demonstrações referentes a 2021, o saldo registrado em nome de Hamilton era de aproximadamente R$ 271 mil. Em 2022, o valor aparece em cerca de R$ 241 mil e, posteriormente, passa a R$ 237,7 mil, montante que continua registrado nas demonstrações mais recentes consultadas.
As notas explicativas do clube informam que os empréstimos são baseados em contratos celebrados entre os credores e o Remo. Nas demonstrações de 2025, o clube também informa possuir operações dessa natureza com pessoas físicas que integram ou integraram sua administração.
O processo que resultou na penhora, por sua vez, informa que a cobrança judicial decorre de um instrumento de confissão de dívida. Os documentos públicos consultados não permitem confirmar que essa confissão corresponde exatamente ao empréstimo registrado em nome de Hamilton nas demonstrações contábeis do Remo.
Remo vai revisar os cálculos
Apesar da determinação judicial, o caso ainda pode ter novos desdobramentos. O advogado do Remo, Gustavo Fonseca, informou que o clube analisará o processo e fará uma revisão dos cálculos antes de apresentar manifestação.
A defesa azulina trabalha com a possibilidade de que a dívida já tenha sido integralmente quitada. A conclusão dependerá da conferência dos valores depositados e dos cálculos existentes no processo.
Enquanto não houver uma nova decisão ou o reconhecimento da quitação, permanece a determinação para retenção de 20% da renda líquida dos próximos jogos e apresentações esportivas do Remo até a satisfação do débito.
Após cada penhora, deverá ser anexado ao processo o extrato da subconta judicial, com prazo para manifestação das partes.
A execução tramita desde 2023 e a penhora sobre as receitas dos jogos foi adotada após tentativas de satisfação do crédito por outros meios.
Com informações de Diário Online, Tribunal de Justiça do Estado do Pará (TJPA) e Clube do Remo.


