Remo 2×1 Águia de Marabá (Yago Pikachu) – Foto: Genilson Gomes
Remo 2×1 Águia de Marabá (Yago Pikachu) – Foto: Genilson Gomes

Há partidas que extrapolam o roteiro técnico e se impõem como retratos fiéis daquilo que o futebol tem de mais visceral – emoção, memória e reviravolta.

No Mangueirão, palco de reencontros e decisões, a final da Super Copa Grão-Pará reuniu esses elementos em 90 minutos intensos, nos quais Remo e Águia de Marabá transformaram a estreia oficial da temporada em um jogo carregado de significado dentro e fora das quatro linhas.

Depois de sair atrás no placar e conviver com a tensão de uma decisão apertada, o Remo mostrou força, organização e poder de reação para construir uma vitória de virada no segundo tempo, contando com o protagonismo de Yago Pikachu e Eduardo Melo, que saíram do banco para mudar a história do jogo e garantir o título da Super Copa Grão-Pará diante de um Mangueirão em ebulição.

Antes do apito inicial, jogadores de Remo e Águia de Marabá respeitaram um minuto de silêncio em homenagem ao preparador físico Hecton Alves, vítima do acidente envolvendo a delegação Sub-20 do time marabaense no retorno da Copa São Paulo de Futebol Júnior. O gesto emocionou atletas, comissões técnicas e torcedores presentes no Mangueirão.

Com a bola rolando, o jogo começou movimentado. O Remo tentou assumir o protagonismo desde os primeiros minutos, apostando na movimentação de Alef Manga, João Pedro e Panagiotis, enquanto o Águia respondeu com transições rápidas, especialmente com PH e Gustavo Vintecinco.

Logo aos 3 minutos, o Águia quase abriu o placar em lance individual de PH, que obrigou Marcelo Rangel a fazer boa defesa.

O Leão também criou chances claras. A melhor delas surgiu aos 10 minutos, quando João Lucas cruzou na medida e João Pedro apareceu livre na área, mas finalizou para fora, desperdiçando grande oportunidade.

O gramado pesado do Mangueirão, castigado pelas chuvas e por eventos recentes, passou a influenciar diretamente a qualidade das jogadas, provocando escorregões e erros técnicos de ambos os lados.

Ao longo do primeiro tempo, o Remo manteve maior posse de bola e presença no campo ofensivo, explorando jogadas pelos lados e bolas paradas, enquanto o Águia se defendia com organização e buscava escapar em velocidade.

O confronto teve momentos de intensidade, algumas disputas mais duras e atendimentos médicos, refletindo o peso de uma decisão logo no início da temporada.

Na reta final, a pressão azulina aumentou, com uma sequência de escanteios e tentativas de Alef Manga e João Lucas, mas a defesa do Águia conseguiu resistir. Com 4 minutos de acréscimos, o jogo ficou mais truncado, marcado por passes errados e dificuldades na construção ofensiva.

Se o primeiro tempo foi marcado pelo equilíbrio e pela cautela, a etapa final reservou tudo aquilo que faz do futebol um espetáculo imprevisível – mudanças ousadas, gols carregados de simbolismo e uma virada construída na base da insistência.

No Mangueirão, a decisão da Super Copa Grão-Pará ganhou contornos dramáticos, com o jogo aberto até o último lance.

O segundo tempo começou com alterações importantes. No Remo, Yago Pikachu entrou para dar mais dinâmica ao meio-campo, enquanto Marllon reforçou o sistema defensivo.

A movimentação surtiria efeito rapidamente, sobretudo para o time visitante, que passou a explorar os espaços e quase abriu o placar em chegada perigosa de PH logo nos primeiros minutos.

Aos 11 minutos, o gol do Águia saiu. Após cruzamento de Tiago Bagagem, Marllon se atrapalhou e PH ficou livre para finalizar nas redes de Marcelo Rangel. Em respeito ao luto vivido pelo clube marabaense, o atacante não comemorou.

O gol esfriou momentaneamente o Mangueirão e colocou pressão total sobre o Remo que, em desvantagem, avançou suas linhas e passou a pressionar com mais intensidade.

As entradas de Nico Ferreira, Victor Cantillo e Eduardo Melo deram novo fôlego ao Leão. Ainda assim, o Águia quase ampliou em cabeçada de Wendel, salva de forma espetacular por Marcelo Rangel, mantendo os azulinos vivos na decisão.

O empate veio aos 32 minutos e teve assinatura simbólica. Após cruzamento de Alef Manga e desvio de Eduardo Melo, Yago Pikachu apareceu livre para marcar seu primeiro gol com a camisa azulina, levando a torcida à explosão e recolocando o Remo de vez na final.

Empurrado pelo Mangueirão, o Leão cresceu de produção. A pressão se intensificou, com chances claras desperdiçadas e defesas decisivas do goleiro Jerfesson, que evitou a virada em pelo menos duas oportunidades.

A insistência encontrou recompensa aos 43 minutos. Novamente decisivo, Eduardo Melo recebeu lançamento de Sávio pela esquerda, invadiu a área, passou pelo goleiro marabaense e finalizou quase sem ângulo. Mesmo com a tentativa de corte em cima da linha, a bola entrou!

O apito final confirmou uma vitória construída na superação e na persistência. Com gols no segundo tempo, o Remo venceu o Águia de Marabá e conquistou a Super Copa Grão-Pará, iniciando a temporada 2026 com título, emoção e a marca de uma decisão inesquecível no Mangueirão.

Agora os times voltam as atenções para o início do Campeonato Paraense. No sábado (24/01), o Leão estreia às 16h, novamente no Mangueirão, diante do Bragantino, buscando manter o embalo após o título.

Diário Online, 18/01/2026

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