Recomeço, redenção, renascimento. O mundo dos esportes é repleto de trajetórias assim, mas Alef Manga pode consolidar uma das mais improváveis.
Em 2023, com o nome envolvido na Operação Penalidade Máxima, a carreira parecia fadada ao fim. Afinal, como um atleta ligado a um esquema de tais proporções poderia voltar ao topo do futebol brasileiro?
Em 2025, novos problemas surgiram. Após cumprir a suspensão de 365 dias imposta pelo STJD, foi contratado pelo Avaí (SC). Viveu um primeiro turno de oscilações e com pouco espaço entre os titulares.
Em setembro, Alef Manga fez sua última partida pelo time catarinense. Pouco depois, foi afastado sem muitas explicações, teve o contrato rescindido e ficou mais 4 meses longe dos gramados.
Mesmo assim, ainda era um nome forte no mercado. Havia clubes dispostos a atravessar a tempestade e navegar por mares mais calmos. Quase que em um encontro de grandes narrativas, Remo e Alef Manga se uniram num relacionamento que começa promissor.
De um lado, um clube que reaprende a sonhar alto após 32 anos distante da elite. Do outro, um atacante em busca de reconstrução.
São apenas 3 jogos na Série A do Brasileirão – competição que Manga volta a disputar após 30 meses de incertezas – e o recomeço não poderia ser mais animador.
Depois de uma atuação discreta diante do Vitória (BA), no estádio Barradão, o jogador assumiu o protagonismo no empate com o Mirassol (SP), no Mangueirão, com 1 gol e 1 assistência. Alef Manga foi o grande destaque da 2ª rodada, alcançando nota 9,5 – a maior entre todos os atletas.
No empate com o Atlético (MG), na quarta-feira (11/02), marcou novamente e voltou a ter atuação decisiva. Também participou diretamente da jogada que resultou no gol de Vitor Bueno, reforçando sua influência no setor ofensivo.
Ao longo dessas 3 partidas, Manga acumula o melhor índice de gols esperados (xG) por 90 minutos em suas 6 temporadas nas 2 principais Séries do futebol brasileiro, com 0,5. Além disso, finaliza mais do que nunca, com uma média de 4 conclusões por 90 minutos.
É claro que se trata de uma amostra pequena, mas o início é animador para alguém que viveu tantas incertezas recentemente.
Suas 3 participações em gols o colocam entre os protagonistas das primeiras rodadas. Ele só teve menos contribuições diretas do que Carlos Vinicius e Danilo (4 gols), Andreas Pereira (4 assistências) e Jean Carlos (2 gols e 2 assistências).
Alef Manga consolidou-se no cenário nacional em 2021, quando foi contratado pelo Goiás (GO) para disputar a Série B após um Campeonato Carioca de destaque com o Volta Redonda (RJ). Logo mostrou seu valor com excelentes números, 14 participações em gols e um papel fundamental no acesso goiano para a Série A.
No ano seguinte, com o Coritiba (PR), Manga fez sua estreia na Série A e confirmou a maturidade técnica sendo fundamental na permanência do clube na elite. Com números consistentes e participações decisivas em gols, garantiu sua compra definitiva pelo clube paranaense após se destacar como um dos atacantes mais produtivos da competição.
Em 2023, Alef Manga era o protagonista de um Coritiba (PR) que lutava contra o rebaixamento. Com as melhores médias de participação em gols da trajetória, simbolizava a esperança de reação.
Tudo mudou com a denúncia do Ministério Público de Goiás na Operação Penalidade Máxima – após confessar ter recebido dinheiro para forçar um cartão amarelo, foi afastado e suspenso por 365 dias pelo STJD e com validade mundial decretada pela FIFA.
Começava ali o “pior momento da vida” do atacante. Proibido de frequentar o clube e temendo um banimento definitivo, manteve a forma com profissionais particulares enquanto aguardava uma definição. Viveu um hiato de incertezas, à espera de uma segunda chance.
Ela veio em 2024. De volta ao Coritiba (PR), precisou de apenas 5 minutos para marcar o gol da vitória na reestreia. O impacto, porém, não se sustentou. Com pouca minutagem e números modestos, não recuperou o ritmo pré-punição e encerrou a passagem de forma discreta.
Em 2025, o Avaí (SC) representou uma nova tentativa de reconstrução. Apesar de índices de finalização próximos aos melhores anos, não se firmou como titular com o técnico Jair Ventura.
O fim foi abrupto. Em setembro, entre atrasos de direitos de imagem e uma decisão “institucional” nunca detalhada, teve o contrato rescindido. Abriu-se mais um período de dúvidas, que culmina no momento atual com o Remo.
Alef Manga não é inocente e nem deve ser tratado como tal. Cometeu um erro grave, participou de um esquema que colocou em xeque a credibilidade do futebol brasileiro. Foi punido, cumpriu a suspensão, reconheceu o erro e agora tenta aproveitar a nova oportunidade que a vida lhe oferece.
Estar no Remo, disputando a Série A, apresenta vários desafios. O time já está dividido em 2 grupos para a disputa do Brasileirão e do Campeonato Paraense em dias consecutivos.
Além disso, pela localização geográfica de Belém, será a equipe que mais percorrerá quilômetros ao longo da competição. Serão viagens longas e desgastantes, que exigem profundidade física e mental – obstáculos que colocarão Manga à prova.
Será que ele consegue sustentar esse bom início a longo prazo? Fato é que os dois lados podem estar começando a escrever uma bela história de recomeço dentro do mais alto nível do futebol brasileiro.
Flash Score, 14/02/2026


