O Remo pratica um jogo baseado em transições rápidas, lançamentos longos e contra-ataques fulminantes. É o modelo de jogo implementado por Léo Condé desde que assumiu o comando com a missão de encontrar um caminho. Até sua chegada, não havia um time, apenas um bando de jogadores desentrosados.
Para que o Leão tivesse competitividade dentro de uma competição duríssima como a Série A, era necessário montar um time e organizar um sistema que funcionasse com as peças disponíveis, já que o elenco dispunha de jogadores de bom nível, mas com limitações técnicas.
Condé teve um mérito de identificar isso de cara. Então, partiu para dar ao Remo um feitio guerreiro, de forte marcação e capacidade de vencer duelos físicos. No começo, não conseguiu alcançar plenamente esse objetivo, pois faltava condicionamento adequado. Muitos jogadores não estavam no mesmo nível de preparo. Era preciso equilibrar o grupo.
Isso vem sendo alcançado por etapas, mas já rende frutos. O trio de meio-campo, por exemplo, passou a funcionar quando Zé Welison, Patrick e Zé Ricardo alcançaram a forma ideal – ou quase isso. Tudo porque a força do setor está baseada na imposição física, atualmente sendo a arma maior da equipe.
Graças à evolução no plano físico, a partir do final de março, a equipe passou a apresentar volume e rendimento, equilibrando confrontos e até superando adversários tecnicamente superiores, como o Bahia (BA), por exemplo, derrotado 3 vezes nesta temporada de forma insofismável.
Em primeiro lugar, Condé conseguiu ajeitou o funcionamento da defesa, efetivando o lateral-direito Marcelinho, remanescente da Série B, além dos zagueiros Marllon e Duplexe Tchamba e o lateral-esquerdo Mayk. Com isso, cumpriu a meta inicial de estruturar o time a partir da zaga.
Depois, definiu o tripé na faixa central. Evoluiu de um modelo que incluia o meia Vítor Bueno, mas a lesão sofrida forçou a opção por 3 volantes, sendo 2 deles essencialmente marcadores (Zé Welison e Patrick) e um mais adiantado (Zé Ricardo), fazendo às vezes de um armador informal. Tem funcionado bem que passa a ser a essência do time.
O técnico Rogério Ceni, na entrevista pós-jogo de quarta-feira (13/05), no Mangueirão, comentou sobre a força de marcação do meio-campo azulino, que soou como um elogio disfarçado às ideias de Léo Condé.
Muito da eficiência do Remo atual passa pelo bom funcionamento do setor, onde Patrick funciona como condutor principal. Se será suficiente para garantir a permanência na Série A, ainda não é possível dizer, mas é a solução mais inteligente – sem dúvida!
Blog do Gerson Nogueira, 15/05/2026


