Remo 4×1 Tocantinópolis-TO (Capitão)
Remo 4×1 Tocantinópolis-TO (Capitão)

O dia 18/09/2005 foi um dia inesquecível para os torcedores do Remo, principalmente os que estiveram no Mangueirão naquele domingo de sol e com estádio lotado para acompanhar o duelo entre Remo e Tocantinópolis (TO), valendo pelo jogo de volta da 2ª fase da Série C.

Uma partida cheia de emoções, com direito a gol de estreante, drama, pênalti perdido e classificação nos minutos finais.

Há exatos 17 anos, o Remo passava por um perrengue na Série C de 2005, temporada que coroou o retorno do clube paraense à Série B.

Antes da festa, o torcedor azulino sofreu, tanto para entrar no Mangueirão, quanto com o time em campo, que tinha a missão de reverter o placar de 2 a 0 do adversário, conquistado no jogo de ida.

Era a estreia do atacante Capitão, que teve no Remo o gosto de viver em “lua de mel” com o torcedor. Contudo, antes, outra situação tirava o sono do atleta – o desemprego.

Jeferson Magno Barbosa, hoje com 47 anos, revelou que não sabia que o Remo tinha perdido o primeiro jogo por 2 a 0 e precisava reverter o marcador. Ele foi contratado em uma quinta-feira, chegou no dia seguinte, de madrugada, treinou pela manhã e só soube da real situação do Leão na coletiva de imprensa.

“Estava no Ceará (CE) e tinha acabado a Série B, estava tudo acertado para jogar no Treze (PB), com um salário 2 ou 3 vezes maior que o do Remo, além de já ter jogado no clube, mas a amizade que tinha com o técnico Roberval Davino me fez ir ao Remo. Cheguei na madrugada de sexta-feira em Belém, treinei no Mangueirão e à tarde soube, em uma entrevista, que o Remo tinha que reverter o placar. Fiquei pensando, sou contratado na sexta-feira e no domingo à noite estarei desempregado, mas são coisas que acontecem”, contou, rindo da lembrança.

“Aquele dia foi lindo. Nossa chegada no Mangueirão, aquele ‘mar azul-marinho’ me surpreendeu muito. Era impensável aquilo tudo de torcedores na Série C daquele ano. Filas quilométricas, torcida cantando. Foi maravilhoso”, contou Capitão.

A preocupação em não tomar gol era uma constante, segundo o jogador. O Remo fez um primeiro tempo impecável. O atacante fez gol na estreia, mas pensou, em alguns momentos, que tudo poderia desmoronar.

“Fui feliz em marcar o gol na estreia, em um cruzamento do Douglas Richard que peguei de primeira, no bico da pequena área. Que vibração linda do torcedor! Aquele estádio estava com a temperatura elevada e ferveu depois que abrimos 2 a 0, mas no segundo tempo vacilamos, levamos um gol e ainda perdemos um pênalti. Nesse momento, o nosso psicológico abateu, pensei que não daria mais, mas conversamos, botamos a bola no chão e conseguimos o resultado”, falou.

Para ele, a partida contra o Tocantinópolis (TO), vencida pelo Leão por 4 a 1, foi especial, até mais que o jogo em Novo Hamburgo (RS), contra o clube da cidade gaúcha, em que ele marcou o gol que rendeu título da Série C e o acesso.

“Foi uma partida muito importante, pois foi meu começo no Remo. Marquei um gol, senti a pressão logo de cara, que era jogar no Remo. Nesse jogo, ganhamos o campeonato, pois passamos por cima de muitas adversidades em uma partida só. Até hoje recebo mensagens de torcedores que hoje têm 25, 26 anos e que estavam no estádio, outros que estavam ouvindo a partida e que falam que torcem para o Remo por causa do jogo. Belém inteira só se falava dessa partida e essas situações tornaram o confronto especial”, finalizou\ .

O Liberal, 18/09/2022

9 COMENTÁRIOS

  1. Realmente,estávamos lá com a ATAR e sabemos de toda a responsabilidade que todos que faziam Remo tinham naquele momento,até pq o árbitro escalado era um juiz que sempre prejudicava Clubes paraenses(Wilson Bispo).Mas,parabéns pela lembrança!!!

  2. Eu estava escutando no rádio pois eu estava estudando para prova da OAB. No final de tudo leão campeão e fui aprovado ano inesquecível!!!!!!!

  3. Ano incrível, de jogadores que vestiram a camisa do clube com amor e garra e muita vontade, ano que o Brasil inteiro conheceu o fenômeno azul a maior torcida e maior público em todos os brasileiros A B e C. Esse jogo era moleque e chorei muito com meu pai pela classificação. Ano que a RBA transmitiu todos os jogos do Leão Azul.

  4. Desde o primeiro jogo daquela serie C existia algo diferente, uma conexão criada entre torcida e clube iniciou naquela temporada.

    Vinhamos de muitas frustrações, dividas, humilhações, perda de jogadores, processos, perda de patrimônios, descredito.

    Aliado a isso o rival parecia entrar em outro patamar de conquistas, tudo sabemos que conquistado de formas obscuras, mas que mexiam sim com o ego de todo azulino.

    Pois bem, desde o primeiro jogo com o Abaete, sim Abaete, fui surpreendido com o tamanho da torcida que se fazia presente para um jogo de serie C, de 5a categoria no dia quesito espetáculo.

    Mas iniciava ali essa sinergia, essa aura que se formou com a conexão do Remo e torcida. Ficamos fanáticos, alias mais ainda fanáticos.

    Entendemos ali que so nos poderiamos reerguer o nosso amado clube, e naquele ano de 2005 fizemos a maior media de publico de todas as series do brasileiro, A, B e C. 32.000 pessoas em media por jogo.

    O dia heroico contra o Tocantinopolis foi a cereja do bolo como todos sabemos.

    Dias aqueles que provaram a todos que o Remo é mais que um clube pra sua torcida.

    Foi ali que surgiu o fenômeno azul!!!

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