Mangueirão
Mangueirão

Apesar do questionável impacto social e financeiro, é inegável que a Copa do Mundo de 2014 inaugurou uma nova era no que diz respeito a estádios de futebol no Brasil.

Praças esportivas, como Maracanã (Rio de Janeiro-RJ) e Mineirão (Belo Horizonte-MG) foram reformuladas de forma significativa. No caso da Fonte Nova (Salvador-BA), o estádio anterior foi até implodido em função de problemas estruturais, que resultaram em um acidente onde 7 pessoas morreram.

Os 3 estádios tem uma coincidência administrativa: são gerenciados pela iniciativa pública, seja por meio do modelo de consórcios, seja por empresas especializadas.

Como Belém não sediou a Copa do Mundo, o principal estádio do Pará, o Mangueirão, ficou fora do circuito de modernização. Também permaneceu sob posse do poder público.

No momento, há um consenso entre os desportistas do Pará: a necessidade de reformá-lo.

O presidente do Remo, Fábio Bentes, inclusive, chamou o Mangueirão de “obsoleto” e questionou, inclusive, se o estádio poderia sediar jogos da Série B do Brasileirão.

“O Mangueirão não cumpre várias exigências. Se os clubes paraenses fossem jogar a Série B, haveria problemas”, garantiu.

Depois de episódios como a queda de reboco do teto, no início de 2019, discutiu-se o desejo de modernização. Um ano depois, o esboço do projeto avançou no poder público. Está sob análise do governador do Estado, Helder Barbalho, o projeto de revitalização e readequação do Mangueirão, feito pela Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Obras Públicas (Sedop).

A previsão é que o projeto seja finalizado em fevereiro. Em seguida, terá início o processo de licitação e contratação da empresa que executará os serviços.

Entre as melhorias divulgadas, constam novas catracas, substituição dos atuais assentos por cadeiras nas arquibancadas, implantação de um novo serviço de drenagem para reutilização da água do gramado, nova pintura, acessibilidade e sinalização para pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida, entre outras.

“Devemos colocar assentos com encosto em todo o estádio, vai ter redução (de público) por isso, mas vamos ampliar a estrutura das cadeiras, aproximar até a margem da pista de atletismo, para dar uma ambiente semelhante ao de Arena, com a torcida mais próxima ao gramado”, comentou o governador do Pará, garantindo também que a pista de atletismo não será retirada.

O Mangueirão tem capacidade para 45 mil torcedores, mas atualmente abriga apenas 35 mil pessoas, por restrições aplicadas pelos órgãos de segurança.

No esboço do projeto, também há adequações e a elaboração de estratégias de redução no tempo de evacuação de torcedores.

“A intenção é que, dentro dos aconselhamentos feitos pela CBF, possamos duplicar as rampas para permitir a evacuação do estádio em segurança, lembrando que o protocolo estabelece 8 minutos de saída e as condições atuais são de 28 minutos. Não estão adequadas ao padrão da CBF”, comentou Helder Barbalho.

Victor Borges, secretário-adjunto da Secretária de Esporte e Lazer (Seel), que é o órgão responsável pela praça esportiva, assegurou que a reforma é uma prioridade.

A previsão inicial é que o estádio fique fechado por aproximadamente 2 anos. Por enquanto, há o esboço do projeto e, desta forma, é inviável indicar prazos e modificações consistentes. Também não há indicativos de que após a reformas, o poder público faça alguma parceria com a iniciativa privada.

“A Secretaria de Estado de Esporte e Lazer (Seel) informa que não existe nenhum processo de descentralização ou privatização do Estádio Olímpico do Pará, Mangueirão. Desta forma, a administração da praça esportiva continuará com o Governo do Estado”, informou a Seel, em nota.

A última reforma do estádio data de 2000, feita ainda na gestão do falecido governador Almir Gabriel. Foram 2 anos de obras. Naquela oportunidade, o estádio recebeu o complemento de arquibancada, ampliou e readequou espaços, além da inauguração da pista de atletismo, que impactou no nome do estádio.

O “Estádio Estadual Jornalista Edgar Proença” passou a ser denominado de “Estádio Olímpico do Pará”, popularmente, ainda chamado de Mangueirão.

O Liberal.com, 27/01/2020

7 COMENTÁRIOS

  1. Prefiro uma cobertura pois o gramado é castigado pelas chuvas e o Campeonato regional fica no período de inverno!

  2. Se dependesse de mim, aumentava o tamanho do gramado (que ficou muito pequeno depois da reforma feita pelo Klautau no ano 2000, favorecendo a retranca dos times visitantes) e dava um jeito de construir mais uma sessão de arquibancadas pra aumentar a capacidade de torcedores (que já é pequena em jogos decisivos).

    • As dimensões do gramado do Mangueirão (Baenão também) seguem o padrão da Fifa de 105×68. O espaço extra ao redor que dá a impressão de ser menor ou maior.

      • Na verdade, pelo que eu sei, existe um padrão de dimensões mínimas e máximas. O comprimento (linhas laterais) do campo está num bom patamar. Mas a largura poderia ser maior. O padrão fica entre 64 – 75 metros. Lembro bem que o Baenão teve o tamanho do gramado reduzido pra ficar no mesmo tamanho do Mangueirão pós-reforma.

        • Existem os tamanhos mínimos e máximos, realmente. Porém, a Fifa tem uma medida que adota como “oficial” e a CBF segue a recomendação.

  3. ESSA IDÉIA DE REFORMAR O MANGUEIRÃO É ÓTIMA E ELEVAR AO STATUS DE ARENA,DEIXA O PÚBLICO MAIS PERTO DO CAMPO DE JOGO E PRA QUEM ASSISTE PELA TV TAMBÉM FICA LEGAL OLHANDO A TORCIDA E ASSISTINDO AO JOGO, MAS QUANDO O JOGO É TRANSMITIDO PELA TV NESSE MANGUEIRÃO PARECE QUE ESTÃO JOGANDO NUM QUINTAL.

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