Remo 1x0 Tapajós (Rafael Jansen)
Remo 1x0 Tapajós (Rafael Jansen)

Enquanto Clube do Remo e Paysandu já têm prontos os protocolos de saúde a serem seguidos por seus elencos na volta aos treinos, tendo em vista a prevenção à Covid-19, na maioria dos demais disputantes do Parazão, o documento sequer foi debatido.

Como a Federação Paraense de Futebol (FPF), organizadora do campeonato, anunciou a não exigência do cumprimento das normas na preparação das equipes, boa parte dos clubes do interior resolveu, pelo menos até aqui, ignorar tal procedimento. O descaso poderá comprometer todo o trabalho de precaução adotado pelos times da capital.

O risco de contaminação em massa de atletas e outros profissionais em treinos e jogos, por falta da obrigatoriedade do protocolo nos treinos, já foi salientado pelo presidente bicolor Ricardo Gluck Paul, que chamou a atenção, na semana passada, para a inutilidade do cumprimento do protocolo apenas nos jogos do Estadual, como sugere a FPF.

“Se um clube que enfrentarmos não tiver protocolo de treino, algum atleta adversário pode estar contaminado e não testar positivo, pois sabemos que os testes rápidos em pessoas que pegaram Covid nos primeiros 5 a 6 dias é passivo de falhas”, apontou.

O alerta, porém, parece não ter sensibilizado nem a direção da FPF e nem os dirigentes da maioria dos clubes interioranos. Nem mesmo os representantes locais na Série D do Brasileirão – Bragantino e Independente – já contam com o protocolo para o treinamento. O Tubarão do Caeté, por enquanto, está se amparando apenas no protocolo de pré-jogo e jogo apresentado pela FPF.

“O Bragantino só se manifestará sobre essa situação após ter uma data certa para a volta de seu elenco aos treinos”, informou a assessoria bragantina.

No caso do Carajás, a situação é ainda pior. Tão logo foi anunciada a suspensão do Estadual, o clube desmontou totalmente o seu elenco, não havendo sequer a certeza de que a equipe do Outeiro volte a disputar a competição. Elaborar um protocolo de treinamento, então, nem pensar.

Com exceção do Castanhal, que já trata do assunto, nos demais o cenário é praticamente o mesmo mostrado pelo Bragantino. A preocupação maior desses clubes diz respeito à remontagem de seus elencos e a questão da prevenção à Covid-19 nos treinos é, pelo menos por enquanto, atirada para linha de fundo.

Águia, Itupiranga e Paragominas, assim como alguns outros que disputam o Parazão 2020, também não estão dando a mínima para a elaboração de protocolo de prevenção à Covid-19 para a volta dos treinamentos de suas equipes. Informações passadas pelas imprensas de Marabá e Paragominas são de que todas as atividades dos clubes, inclusive as burocráticas, estão paradas.

“Pode ser que agora, com a possibilidade mais clara do reinício do campeonato, os clubes venham a tratar do suporte necessário para os treinamentos de seus elencos. Por enquanto, não está ocorrendo nenhum movimento no sentido de se criar esse documento preventivo à pandemia”, afirmou uma fonte, com trânsito livre no futebol de Marabá e que pediu anonimato.

“Se no Águia, que tem um pouco mais de estrutura, não se nota movimento para preservar a saúde do elenco, no Itupiranga a coisa é ainda pior”, acusou.

No Paragominas, o quadro é o mesmo. Segundo a imprensa local, os dirigentes só devem começar a tratar da questão a partir do momento em que o clube tiver a certeza de que o campeonato será reiniciado. O clube foi um dos primeiros a desmontar seu plantel, tão logo a suspensão do Estadual foi anunciada pela Federação Paraense de Futebol. Até a última sexta-feira (26/06), não havia nada definido para treinos ou elaboração de protocolo.

Diferente dos demais clubes emergentes do futebol local, o Castanhal, de acordo com seu presidente Hélio Paes, já possui um protocolo preventivo à Covid-19 para a volta do elenco do clube aos treinamentos com vistas a sequência do Parazão. O dirigente informou que o Japiim firmou parceria com o Hospital São José, localizado na cidade de Castanhal, para que no retorno dos profissionais ao trabalho, todos passem pelo teste da doença.

“Trata-se de um hospital de referência na cidade e que nos ajudará bastante na testagem do nosso elenco”, disse.

No tocante à prevenção durante os treinamentos do grupo castanhalense, Helinho informou que o protocolo de treinamento do elenco do Japiim já está pronto e deverá ser colocado em prática assim que o clube retomar as suas atividades. Anteriormente, o dirigente havia revelado que os jogadores e os membros da comissão técnica ficarão confinados, na volta ao trabalho, no Centro de Treinamento. A medida visa evitar a contaminação dos profissionais em contatos com pessoas alheias ao grupo.

O protocolo elaborado pelo Japiim, ainda de acordo com o dirigente, já foi encaminhado à Prefeitura de Castanhal, que dará parecer sobre o documento. Como ainda aguarda a resposta do poder municipal, a direção ainda não fixou a data para a volta do elenco aos treinamentos.

“Acreditamos que a partir de julho o grupo já esteja trabalhando dentro das medidas de prevenção à saúde exigidas”, afirmou o presidente, anunciando, também, que o plantel, formado por 33 atletas, deverá sofrer alguns cortes.

O presidente do Tapajós, Sandicley Monte, que antes se dizia totalmente contra o reinício do Parazão, mudou de ideia após o encontro da última sexta-feira (26/06) com o governador Helder Barbalho, além de representantes da Federação Paraense de Futebol (FPF) e dos demais clubes e outros segmentos ligados ao futebol. Depois de concordar com a volta da competição, provavelmente no dia 12/08, o dirigente da única equipe de Santarém na disputa já fala na agilização da criação de um protocolo de prevenção à Covid-19 visando os treinamentos do elenco.

“A gente já vinha tratando dessa questão, mas sem pressa, com muita cautela”, afirmou.

“A partir do momento que houver a batida do martelo quanto à data exata do recomeço da competição e com a Prefeitura (de Santarém) dando o ok para os treinamentos do time, vamos tratar com mais intensidade do assunto”, anunciou o dirigente, que disse ser favorável a exigência do protocolo de treinamento para todos os clubes.

“Concordo com o presidente do Paysandu, o Ricardo (Gluck Paul), quanto a essa exigência”, declarou.

“O Paysandu está cobrando que seja incluído no regulamento uma punição ao clube que não adotar protocolo de treinamento. Concordo com ele. Se alguns clubes fazem esse trabalho preventivo e outros não, acaba que esse cuidado terminará sendo prejudicado por aqueles clubes que não adotarem essas medidas”, salientou Monte.

Diário do Pará, 28/06/2020

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