Ruan
Ruan

Nem só de decepção foi rodeado o futebol do Clube do Remo nesta temporada. Na base azulina, por exemplo, diversos talentos despontaram no gramado ao ajudar na campanha imponente do clube na conquista do bicampeonato paraense Sub-20 no começo deste mês, no Baenão.

O jogador que levantou a taça de campeão do certame, por sinal, foi um dos principais pilares pela trajetória impecável do Leão em toda a condução que resultou na volta olímpica pelo segundo ano consecutivo, que é o caso do goleiro Ruan Lucas, de 19 anos.

O jogador, natural de Belém, foi o capitão do elenco que triunfou com propriedade na função, ao ter defendido 3 cobranças de pênaltis na decisão frente ao Pinheirense.

Há 5 anos como atleta formado pela base azulina, o jogador é uma das grandes promessas para o futuro profissional remista. Não à toa, nos últimos 3 anos, Ruan tem integrado o grupo principal do time ao treinar sob o comando do preparador de goleiros Juninho Macaé e na companhia do ídolo da torcida, o arqueiro Vinicius.

A posição, atualmente, é a única do elenco bem encaminhada para o próximo ano, com a presença de Vinícius e dos remanescentes Zé Carlos e Victor Lube. Apesar da forte concorrência, o jovem não esmorece com o sonho de assumir a camisa 1 azulina.

O exemplo recente de Zé Carlos, que assumiu a titularidade na reta final da Série C e que deve seguir na meta para 2023, é um dos pontos de motivação. Se ocorrer uma reviravolta no gramado e a chance surgir, Ruan assegurou que está pronto para agarrá-la com primazia.

“Da feita que chegamos no profissional, já estamos prontos. O professor Juninho treina forte e ensina sempre para estarmos bem mentalmente para entrarmos em qualquer jogo. Treinar bem para jogar bem. Se chegar a oportunidade, é seguir firme. Cabeça boa, para tudo dar certo”, projetou.

A experiência recente com os profissionais de ponta e a nível altíssimo de competitividade, reforça a segurança em manter a pegada, independente da categoria, seja ela profissional ou de base. Nesse ponto, o espelho do seu ídolo na função é primordial.

“A pessoa tem que ter ambição sempre para trabalhar bastante e atingir os frutos. Tive uma temporada vitoriosa. A nossa equipe trabalhou bastante. Treinava com o professor Biro na base até receber o convite do Juninho. Estou há 3 anos treinando com grandes goleiros e com o meu ídolo, minha referência, que é o Vinícius. Só tenho a agradecer ao Juninho, a Deus e a todo mundo. Quem conhece, sabe como é o trabalho do Juninho. Seguimos trabalhando forte”, disse.

Ao lado da agilidade na meta azulina e da liderança no gramado em prol da equipe, outro fator chamou a atenção no desempenho de Ruan durante o bicampeonato azulino paraense nas categorias de base, em especial nesta temporada – o de defender pênaltis dos adversários. Somente na reta decisiva, foram 4 defesas em penalidades máximas, com 3 delas na grande decisão do título do Parazão Sub-20, ao ter sido peça fundamental para a manutenção do título no estádio Baenão.

O desempenho, segundo o goleiro, é fruto de muita entrega etrabalho duro.

“Isso é uma importância maravilhosa, muito boa. Como falei, a gente trabalha bastante para ser coroado. Tem que ter ambição para trabalhar bastante e conquistar com bons trabalhos para ajudar o Remo”, disse.

Goleiro prata da casa? Faz tempo…

Apesar da baixa qualidade do elenco azulino nos últimos anos, a meta do Clube do Remo, por sua vez, sempre esteve bem servida, a exemplo de Vinícius, que seguia intocável no gol azulino desde 2017.

Porém, a posição de camisa 1 há tempos não conta com um goleiro da terra. Ciente do potencial de Ruan, que pode vir a quebrar esse jejum, o último atleta local a ter assumido com qualidade a função repassou conselhos para o “prata da casa” aproveitar qualquer oportunidade, que é o caso do ex-goleiro e xodó da torcida, Ivair Mendes, o “Nego Gato”.

“Ele tem que se impor, trabalhar muito, porque por ser da terra, a torcida cobra bastante. Os erros acontecem para o goleiro, mas é necessário sempre superar. Ele precisa trabalhar bastante, porque para se jogar no futebol paraense é muito difícil. Depois de mim no Clube do Remo e do Ronaldo, no Paysandu, não apareceu mais nenhum. Isso aconteceu por falta de opção, de treinamento, esforço. Fico feliz por ele e espero que tenha a chance de demonstrar a qualidade e valor daqui, senão fica nessa mesmice em sempre contratar goleiro de fora, assim como zagueiro e outras posições”, afirmou.

“É necessário ter também um pouco de paciência, mas ele ter a personalidade para treinar bastante e dizer: ‘Sou paraense, sou jogador da terra e estou pronto para defender o clube que gosto’. Jogador de futebol é uma coisa, agora jogador profissional é outra”, detalhou.

Ainda de acordo com Ivair, que teve passagem pelo Leão no começo da década de 2000, com atuações de destaque pela Copa João Havelange, Série B e Copa do Brasil, uma das broncas pela ausência constante de atletas do Estado é a ausência de um cuidado maior em termos de profissionalização.

“Fui ano passado no Remo com o (Paulo) Bonamigo e propus para a direita que iria fazer um trabalho de fundamento de goleiros. Em todos os clubes que você passa, tem um treinador de goleiro, mas treinador é uma coisa, formador é outra. É necessário ter técnica. Propus isso uma vez ao clube, não treinar, mas fazer a parte específica, formar goleiro, para sair pronto. Por isso que os clubes não apresentam goleiros bons de destaque para sair da base e subir logo. Você vê Flamengo (RJ), Atlético (MG), Cruzeiro (MG) e o próprio Sport (PE), eles sobem prontos”, destacou.

No que depender de Ruan, após sucesso nos últimos anos pelo futebol de base azulino, agora, o momento é de se preparar ainda mais e correr para o abraço na hora da oportunidade no futuro.

“Se Deus quiser, vai chegar a minha hora e estarei preparado para isso”, finalizou.

Diário do Pará, 18/09/2022

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