Mandato de Tonhão termina em dezembro; atual presidente avalia disputar a reeleição para comandar o clube a partir de 2027.
Da redação do Remo 100%, em 16/08/2026
O Remo terá um segundo semestre decisivo dentro e fora de campo. Enquanto a equipe luta pela permanência na Série A, o clube iniciará o processo eleitoral para definir quem comandará a instituição a partir de 2027.
O mandato do presidente Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, termina no final deste ano. Como o estatuto permite a reeleição, o atual dirigente avalia concorrer a um novo período de 3 anos.
Independentemente do resultado das urnas, a próxima gestão encontrará desafios diretamente relacionados ao crescimento recente do clube. O acesso à Série A aumentou as receitas, mas também elevou os investimentos e os custos necessários para manter uma equipe competitiva.
Em julho, o Remo anunciou que seu patrimônio havia alcançado valor superior a R$ 281 milhões, crescimento de mais de R$ 100 milhões em comparação com o ano anterior. O avanço patrimonial, entretanto, não elimina a necessidade de controlar gastos e manter equilíbrio financeiro.
Resultado esportivo influencia estabilidade
Para o comentarista esportivo Paulo Fernando, a organização das contas está diretamente ligada ao desempenho da equipe. Resultados positivos reduzem a pressão política e oferecem maior tranquilidade para a administração.
“Muitas vezes, o dirigente quer manter o clube financeiramente estável, mas só vai conseguir isso se tiver paz dentro de campo. Conseguindo resultados e formando um grande time, terá tranquilidade para trabalhar as contas do clube”, avaliou.
O atual ambiente político é mais estável do que o encontrado em temporadas anteriores. Há poucos anos, o Remo convivia com divisões internas mais visíveis e diferentes grupos disputando influência nos bastidores.
A sequência de acessos da Série C para a Série B e, posteriormente, para a Série A fortaleceu a atual administração. Na avaliação de Paulo Fernando, o sucesso esportivo reduziu a exposição da oposição, embora isso não signifique que ela tenha deixado de existir.
A permanência na elite nacional poderá ter impacto direto sobre esse cenário. Além de representar o principal objetivo esportivo de 2026, continuar na Série A preservaria receitas e permitiria maior capacidade de planejamento para o próximo mandato.
Centro de Treinamento permanece como desafio
Outro tema que deverá ocupar espaço no processo eleitoral é a estrutura do clube. A implantação de um CT compatível com as necessidades do futebol profissional e das categorias de base continua entre as principais cobranças dirigidas às sucessivas administrações.
Sem uma estrutura completa, o Remo encontra dificuldades para integrar a formação de atletas ao elenco profissional e competir com clubes que investem continuamente em captação, alojamento, preparação física e desenvolvimento técnico.
O atraso não é recente e atravessa diferentes gestões. Por isso, a construção de um complexo esportivo exige mais do que uma promessa eleitoral – depende de planejamento financeiro, definição de etapas e continuidade administrativa.
Formação ainda produz poucos jogadores
O fortalecimento das categorias de base está diretamente relacionado ao projeto de infraestrutura. Apesar de avanços recentes na captação, o Remo ainda revela poucos atletas capazes de se consolidar no futebol nacional ou atender às necessidades imediatas do elenco profissional.
Um dos casos de maior projeção é o lateral-direito Kadu, emprestado ao Botafogo (RJ). A expectativa é de que o jogador permaneça definitivamente no clube carioca a partir de 2027.
Exemplos como esse, entretanto, ainda são isolados. A ausência de alternativas prontas ficou evidente quando Mayk sofreu uma lesão na lateral-esquerda. Sem um substituto formado no clube em condições de assumir a posição, o Remo precisou comprar Marlon do Cuiabá (MT).
Uma base mais estruturada não elimina a necessidade de contratações, mas pode reduzir gastos emergenciais, oferecer soluções ao elenco principal e gerar receitas com a negociação de jogadores.
A eleição definirá quem terá a responsabilidade de conduzir essas decisões. A próxima gestão precisará conciliar competitividade na equipe profissional, equilíbrio financeiro e investimentos estruturais capazes de sustentar o crescimento do Remo para além dos resultados imediatos.
Com informações de O Liberal.


