Na segunda-feira (18/05), a convocação dos 26 atletas da Seleção Brasileira que disputará a Copa do Mundo teve como uma de suas surpresas a presença do goleiro Weverton, que mal fez parte do ciclo do técnico Carlo Ancelotti. O jogador do Grêmio (RS), que defendeu o Remo no início de carreira, vai para seu segundo Mundial, agora aos 38 anos.
Um dia antes, o azulino Marcelo Rangel completou a mesma idade e comemorou dentro de campo, na vitória de 3 a 2 sobre a Chapecoense (SC), fora de casa.
O goleiro do Leão está há 3 anos no clube, com 3 acessos e uma relação umbilical com o Fenômeno Azul, sendo um dos melhores do elenco no quesito técnico. Inclusive, seu desempenho atualmente é até mais destacado de quando chegou a Belém, com 35 anos.
Ele comentou sobre o bom momento e a longevidade que os jogadores de futebol vêm tendo com o passar dos anos e a tecnologia de treinos e recuperação que são aplicados ao esporte. Rangel citou goleiros que estão na mesma condição, como Fábio, do Fluminense (RJ), e o alemão Manuel Neuer, campeão do mundo e que, aos 40 anos, foi convocado para disputar sua 5ª Copa.
“A evolução que teve a nossa posição de goleiro, por tudo que o futebol proporciona hoje nos aspectos de fisiologia, na parte médica, clínica, nutrição também, faz com que nossa carreira esteja se estendendo. Acho que não só de goleiro, mas muitos atletas estão tendo uma longevidade maior, o goleiro ainda mais. A gente tem provas aí, a gente vê o Neuer, que está voltando para uma outra Copa, onde muitos achavam que ele não estaria mais. Você vê o Weverton, com 38 anos, sendo convocado para uma Copa do Mundo. Isso é o trabalho, é claro, e tudo isso que o futebol proporciona para que dê vida longa a todos os atletas”, disse.
“Creio que eu possa chegar a atingir 42, 43, 44 anos jogando futebol. Tudo depende, claro, se você está em um clube que gosta, que te dá condições para isso. Hoje o Clube do Remo tem todas essas condições de proporcionar uma possível longevidade ao atleta”, comentou.
“Outro fator é a condição do atleta, o fator mental, o fator familiar também. Por tudo que tenho visto, quero fazer o possível para prolongar o máximo a minha carreira, porque é o que gosto de fazer, é o que amo fazer. Jogar futebol é o que me dá prazer. Sou um atleta que procuro fazer tudo possível para estar sempre bem. Fábio está indo para 46 anos jogando um nível muito bom e a gente tem que procurar os espelhos e as coisas boas”, completou Rangel.
Além disso, Rangel elencou algumas razões pelas quais os jogadores têm se beneficiado para terem mais alguns anos em alto rendimento nas carreiras. Quase todas passam pela estrutura dos clubes e pela disciplina na vida pessoal.
“Temos um NASP (Núcleo Azulino de Saúde e Performance) extremamente competente, liderado pelo doutor Jean Klay, toda uma equipe enorme que tem dentro do clube. Hoje tenho um dos melhores treinadores de goleiros do Brasil ao meu lado, o Daniel Crizel, que já passou pela Seleção Brasileira e por grandes clubes, e está comigo, do meu lado. Isso ajuda a ter uma longevidade, porque são pessoas que entendem o atleta”, apontou.
Sobre o ambiente fora do Baenão, o goleiro azulino ressaltou que muitos têm formas diferentes de passar o tempo, descansar e até desanuviar. Para ele, o que funciona é aproveitar o pouco tempo de folga que tem com a família.
“Fora do clube, tem a parte da família. Aqui dentro a gente vive sob constante trabalho, são jogos difíceis, pressão, tem o lado mental. Meu lado mental é quando acaba o meu jogo, chego em casa e fico com minha esposa do meu lado, com minha filha. Isso é felicidade e te ajuda a se recuperar, a te deixar relaxado”, contou.
“Sou um atleta que gosta de ficar em casa, já outros atletas têm outras válvulas de escape. Uns gostam de sair, passear, ir a festas, fazer várias coisas, ir para a igreja, ficar com a família. Sou um cara bem família. Gosto de estar com a minha filha, gosto de estar com a minha esposa, para recuperar a minha mente”, finalizou Marcelo Rangel.
Diário do Pará, 22/05/2026


