Atlético (MG) e Remo protagonizaram um jogo eletrizante nesta quarta-feira (11/02), na Arena MRV, em Belo Horizonte (MG), quando empataram por 3 a 3 pela 3ª rodada do Brasileirão. O Leão chegou a virar a partida fora de casa, mas sofreu o empate no último lance, resultado que deixou “gosto de derrota”, como definiu o atacante Yago Pikachu após o apito final.
A atuação reforçou a dualidade que tem marcado o trabalho do técnico Juan Carlos Osorio – boas leituras e competitividade, mas decisões que ainda levantam questionamentos.
O empate teve um roteiro digno de filme. O Atlético (MG) ficou em vantagem por duas vezes, com gols de Hulk e Ruan, viu o Remo reagir e virar com gols Vitor Bueno, Pikachu e Alef Manga, só evitando a derrota nos acréscimos, quando Dudu deixou tudo igual.
O time paraense ainda teve um gol anulado no segundo tempo e saiu de campo com a sensação de que poderia ter conquistado a primeira vitória no campeonato.
Dentro desse cenário, a atuação azulina foi, em vários aspectos, positiva. Osorio optou por uma escalação inicial sem improvisações – como a maioria pedia. Colocou cada jogador em uma função “confortável” e armou um Remo que foi capaz de competir com um adversário tecnicamente superior.
A escalação diante do time mineiro foi com: Marcelo Rangel; João Lucas, Marllon, Kayky, Sávio; Leonel Picco, Zé Ricardo, Patrick de Paula, Vitor Bueno, Alef Manga e João Pedro.
O primeiro gol remista ilustrou bem esse lado eficiente do trabalho. Sávio, de volta ao time titular após lesão, fez ótima jogada pela esquerda. Alef Manga, que iniciou aberto pela direita, apareceu no lado oposto e deu assistência para Vitor Bueno finalizar para o gol, em uma movimentação trabalhada, com ideia clara e execução bem-sucedida – méritos evidentes da comissão técnica!
Por outro lado, os problemas defensivos também ficaram evidentes. O Remo deu espaços pelos lados do campo e sofreu com a velocidade dos atacantes atleticanos explorando as costas dos laterais. Parte dessas dificuldades passa diretamente pela forma como o time foi montado e organizado, responsabilidade que recai sobre o treinador.
A dualidade do trabalho de Osorio voltou a aparecer, principalmente, no segundo tempo. O técnico acertou ao colocar Pikachu, que saiu do banco para marcar um dos gols e mudar o jogo, mas também tomou decisões que dividiram opiniões, como a entrada do zagueiro Léo Andrade improvisado na lateral-esquerda no lugar de Sávio, mesmo havendo Braian Cufré, um lateral de origem, como opção.
Após a partida, o próprio treinador explicou a escolha e justificou que pensou no aspecto defensivo, especialmente nas bolas paradas.
“Tínhamos que defender melhor as jogadas de bola parada. Considero que com Kayky, Léo Andrade, Marllon e João (Lucas) teríamos mais capacidade para defender a bola parada”, afirmou o colombiano.
Na prática, porém, a mudança não surtiu o efeito esperado. Léo Andrade teve dificuldades no setor, o lado esquerdo ficou mais vulnerável e o Remo perdeu parte da força ofensiva que vinha construindo com Sávio. O episódio reforçou a percepção de que, muitas vezes, o treinador cria problemas para si mesmo ao tentar soluções excessivamente estratégicas.
Além disso, Osorio disse em coletiva que o Remo defendeu bem, mesmo o Atlético (MG) tendo finalizado 18 vezes durante a partida, exigindo 5 defesas de Marcelo Rangel.
Esse contraste tem sido recorrente. Contra o Mirassol (SP), por exemplo, o Remo caiu de rendimento justamente com as substituições promovidas. Em Belo Horizonte (MG), o enredo foi parecido – boas ideias iniciais, leitura interessante da partida, mas alterações que acabaram comprometendo o desempenho coletivo.
Também é preciso algumas ponderações. Nem tudo pode ser colocado na conta do treinador. O elenco ainda apresenta limitações, o time está em processo de construção e falhas individuais pesam diretamente no resultado, como no gol de empate sofrido no último lance. Osorio não entra em campo e não é responsável por erros técnicos dos atletas.
Ainda assim, permanece a sensação de que o Remo poderia ter saído com algo a mais da Arena MRV. Osorio demonstra capacidade de organizar a equipe e fazê-la competir em alto nível, mas muitas vezes parece se complicar sozinho com escolhas que geram instabilidade.
O 3 a 3 diante do Atlético (MG) reforçou exatamente esse momento paradoxal do Leão – um time que evoluiu, que teve poder de reação, mas que ainda oscilou dentro das próprias decisões do comando técnico. Entre acertos importantes e equívocos pontuais, o desafio segue sendo transformar boas ideias em resultados mais consistentes e, principalmente, em vitórias.
Globo Esporte.com, 12/02/2026


