Treinador identifica evolução na posse de bola, compactação e competitividade, mas admite que equipe ainda precisa encontrar equilíbrio para reagir no Brasileirão.
Da redação do Remo 100%
Dezenove dias separaram a estreia de Thiago Carpini, contra o Santos (SP), do empate por 1 a 1 com o Grêmio (RS), nesta quarta-feira (07/10), no Mangueirão. O período sem jogos representou a primeira oportunidade para o treinador trabalhar de maneira mais aprofundada com o elenco do Remo.
O resultado não foi o esperado. O Leão permaneceu na vice-lanterna da Série A, com 24 pontos, e completou nove partidas sem vencer na competição. Entretanto, Carpini identificou mudanças no comportamento da equipe, principalmente na competitividade, na organização defensiva e na maneira de construir as jogadas.
Na coletiva após a partida, o treinador explicou o que considera ter evoluído durante a preparação e reconheceu que ainda existem problemas importantes a corrigir.
Mais competitividade e linhas próximas
Um dos primeiros avanços apontados por Carpini foi a postura dos jogadores nas disputas individuais.
Segundo o treinador, o Remo passou a competir melhor nos duelos e demonstrou maior organização coletiva, especialmente na proximidade entre os setores.
A equipe também começou a compreender melhor os diferentes comportamentos defensivos exigidos pela comissão técnica, seja atuando com linhas mais adiantadas ou protegendo espaços próximos à própria área.
A compactação é considerada fundamental para evitar que os adversários encontrem espaços entre os jogadores azulinos.
Carpini reconheceu, porém, que transformar completamente o comportamento de uma equipe exige mais do que algumas sessões de treinamento.
Na avaliação do técnico, mudanças dessa natureza envolvem aspectos físicos, técnicos, emocionais e mentais. Por isso, considera impossível resolver todos os problemas em apenas duas semanas.
Posse de bola também é uma forma de defender
Antes do confronto, Yago Pikachu revelou que Carpini vinha cobrando mais coragem para manter a posse de bola, principalmente no campo adversário.
O treinador queria diminuir a dependência das transições rápidas, que frequentemente obrigavam o Remo a percorrer grandes distâncias para atacar e depois retornar à defesa.
Contra o Grêmio (RS), essa orientação começou a aparecer. O Leão procurou circular mais a bola e movimentar a marcação adversária antes de acelerar as jogadas.
Para Carpini, controlar a posse também ajuda a reduzir os riscos defensivos, especialmente diante de adversários com jogadores tecnicamente qualificados. Entretanto, o treinador reconheceu que precisa adaptar suas ideias às características do elenco.
“Uma coisa é pensar tudo aquilo que imagino e que prego, outra coisa é conseguir tirar o melhor dos atletas em cima do que eles podem me entregar”, explicou.
O desafio é encontrar uma maneira de jogar que permita ao Remo controlar mais a partida sem perder a capacidade de chegar ao ataque.
Mais jogadores na área adversária
Outra mudança observada por Carpini foi a ocupação dos espaços ofensivos.
Desde que assumiu o comando, o treinador percebeu que o Remo frequentemente chegava ao ataque com poucos jogadores. Gabriel Taliari acabava isolado entre os zagueiros, dificultando a conclusão das jogadas.
Diante do time gaúcho, a equipe passou a colocar mais atletas dentro da área. Segundo Carpini, houve momentos em que três ou quatro jogadores azulinos participaram simultaneamente das ações ofensivas.
O volume de jogo também aumentou. O Remo terminou a partida com mais finalizações que o adversário, embora tenha conseguido marcar apenas aos 42 minutos do segundo tempo, com David Braga.
A produção ofensiva foi especialmente perceptível depois do intervalo, quando as mudanças realizadas pelo treinador aumentaram a presença azulina no campo de ataque.
Velhos problemas ainda aparecem
Apesar dos avanços, o Remo voltou a sofrer com dificuldades conhecidas. O gol de Kannemann, nos acréscimos do primeiro tempo, surgiu após uma cobrança de escanteio. Foi mais um episódio de desatenção defensiva em bola parada.
“Sobre a bola aérea, é uma situação que estamos trabalhando para melhorar. O ideal é que todos os jogadores da posição estejam disponíveis. Hoje não tivemos o (Duplexe) Tchamba, nem o Matheus (Felipe), que está lesionado, então optamos por essa formação. Na questão do gol, realmente foi uma falha grande”, reconheceu Carpini.
O treinador também admitiu que a equipe ficou exposta a contra-ataques quando aumentou a pressão ofensiva. Essa é uma das principais dificuldades que pretende corrigir – atacar com mais jogadores sem comprometer a proteção defensiva.
Evolução precisa virar vitória
A atuação contra o Grêmio (RS) apresentou sinais de evolução, mas ainda não produziu o resultado necessário.
Carpini considera positiva a resposta dos jogadores durante o período de preparação. Ao mesmo tempo, reconhece que a equipe precisa transformar os ajustes em maior eficiência.
“Então, preciso respeitar isso e, de alguma maneira, encontrar alternativas para a gente tentar ser mais efetivo, como foi o segundo tempo, em números de finalizações, em ofensividade, em agressividade. Em contrapartida, a gente tem que seguir com esse equilíbrio defensivo”, disse.
Com nove rodadas restantes, o Remo está oito pontos atrás do primeiro clube fora da zona de rebaixamento. O próximo compromisso será no sábado (10/10), às 18h, contra o Vasco (RJ), em São Januário.
Depois dos primeiros sinais de mudança, Carpini terá o desafio de fazer a evolução aparecer também na classificação.
Com informações de Globo Esporte, O Liberal, Diário do Pará e Remo TV.


