Programa Fenômeno Azul alcançou receita recorde em 2025 e foi a 4ª maior fonte de recursos do clube; desafio é ampliar a base de associados e tornar o caixa menos dependente dos jogos.
Da redação do Remo 100%, em 03/08/2026
O programa de sócio-torcedor do Remo alcançou seu melhor resultado financeiro em 2025, com uma arrecadação de R$ 6,49 milhões. O valor representa um crescimento de 134,3% em relação ao ano anterior e se aproxima do triplo da receita registrada em 2023.
Mesmo com a evolução, o Fenômeno Azul apareceu somente como a 4ª maior fonte de receita do clube na temporada, atrás da bilheteria, do marketing e dos patrocínios e dos direitos de transmissão.
Os números demonstram que o Remo avançou na captação de associados, mas ainda enfrenta o desafio de transformar uma parcela maior da torcida que comparece ao estádio em uma base permanente de sócios.
Bilheteria arrecadou mais de 4 vezes o valor
A diferença em relação à venda de ingressos foi expressiva. Em 2025, as bilheterias renderam R$ 28,2 milhões ao Remo, mais de 4 vezes os R$ 6,49 milhões provenientes do programa de sócio-torcedor.
A comercialização de ingressos respondeu por aproximadamente 34% da receita bruta do clube, enquanto o Fenômeno Azul representou cerca de 7,8%.
No acumulado das 3 últimas temporadas, o contraste também é significativo – aproximadamente R$ 55 milhões foram arrecadados com ingressos, contra R$ 11,4 milhões por meio do programa de associados. Na prática, para cada R$ 1 obtido com mensalidades, o clube recebeu quase R$ 5 em bilheteria.
Atualmente, o Remo possui aproximadamente 4,9 mil sócios-torcedores ativos.
Receita dos jogos pode variar consideravelmente
Embora a bilheteria tenha maior participação no orçamento, o programa de sócios oferece uma vantagem importante – a recorrência. As mensalidades ajudam a garantir entradas regulares no caixa e proporcionam maior previsibilidade para o planejamento financeiro.
A receita dos jogos, por sua vez, sofre influência do desempenho do time, do adversário, da importância da partida, da quantidade de compromissos como mandante e até das condições climáticas.
Um exemplo ocorreu diante do Vitória (BA). Valendo pela 20ª rodada da Série A, a partida recebeu 13.017 torcedores, menor público do Remo na competição até o momento, e teve renda bruta de R$ 514 mil. Após os descontos, restaram R$ 185 mil aos cofres azulinos.
O cenário deve ser bastante diferente nesta terça-feira (04/08), quando o Leão receberá o Santos (SP) pelo jogo de volta das oitavas de final da Copa do Brasil. A expectativa de grande público no Mangueirão também projeta uma renda milionária.
Essa oscilação reforça a importância de uma base maior de associados. Mesmo que o desempenho esportivo também influencie o número de adesões e cancelamentos, as mensalidades tendem a variar menos do que a arrecadação obtida a cada partida.
Remo estuda reformulação do Fenômeno Azul
Em entrevista ao canal RS Live Sports, o presidente Antônio Carlos Teixeira, o Tonhão, confirmou que a diretoria avalia mudanças no programa. Uma reformulação durante a temporada, entretanto, é considerada difícil porque poderia afetar contratos e benefícios que já estão em vigor.
Segundo o dirigente, um dos pontos em discussão é o modelo que concede acesso integral aos jogos no principal plano do Fenômeno Azul. Embora seja uma vantagem relevante para o associado, o formato reduz a possibilidade de arrecadação adicional com ingressos e limita a criação de categorias intermediárias.
A estrutura do Mangueirão também é apontada como um obstáculo. O estádio oferece basicamente arquibancada e cadeira, sem a variedade de setores e faixas de preço encontrada em outras arenas brasileiras.
Uma divisão mais ampla permitiria desenvolver planos com valores e benefícios diferentes. Com poucas opções de acomodação, o clube tem menor margem para diversificar os produtos destinados aos associados.
Benefícios precisam ser mais divulgados
Tonhão também reconheceu que muitas vantagens do Fenômeno Azul ainda são pouco conhecidas pelo público. Além do acesso às partidas, o programa possui parcerias que oferecem descontos em lojas e estabelecimentos de diferentes segmentos.
Na avaliação do presidente, a falta de divulgação faz com que muitos torcedores enxerguem o ingresso como o único benefício relevante da associação. Uma comunicação mais eficiente poderia aumentar o valor percebido do programa e ajudar a manter o sócio mesmo durante períodos de menor desempenho esportivo.
Desafio é converter público em associados
O Remo encerrou o primeiro turno da Série A com mais de R$ 10 milhões de renda líquida em 9 partidas como mandante, confirmando a capacidade de mobilização da torcida azulina. Essa força, porém, ainda está concentrada principalmente na compra de ingressos.
O crescimento do Fenômeno Azul em 2025 mostra que existe espaço para ampliar a participação do programa nas receitas do clube. Para isso, será necessário oferecer planos adequados a diferentes perfis de torcedores, divulgar melhor os benefícios e criar razões para que a associação seja mantida além do acesso ao estádio.
Converter uma parcela maior do público do Mangueirão em sócios permanentes não eliminaria a importância da bilheteria, mas reduziria a dependência dos resultados de cada jogo e daria ao Remo maior segurança para planejar seus compromissos ao longo da temporada.
Remo tem perfil de arrecadação diferente dos maiores clubes do país
A comparação com as principais equipes do futebol brasileiro mostra que a composição das receitas do Remo ainda é bastante diferente daquela encontrada entre os clubes mais ricos da Série A.
Em 2025, os 20 clubes analisados pela EY arrecadaram conjuntamente R$ 14,9 bilhões. Desse total, aproximadamente 33% vieram de direitos de transmissão e premiações, 26% da transferência de jogadores, 21% de receitas comerciais e 12% das receitas de “matchday” – categoria que reúne bilheteria, programas de sócio-torcedor, camarotes e outros recursos gerados nos dias de jogos.
| Segmento de receita | Remo | Clubes da Série A |
|---|---|---|
| Bilheteria e sócio-torcedor (“matchday”) | 41,9% | 12,1% |
| Marketing e patrocínios/receita comercial | 28,5% | 20,8% |
| Transmissão e premiações | 11,1% | 32,9% |
| Transferências de jogadores | 2,8% | 26,2% |
Os números mostram que o Remo depende proporcionalmente muito mais da mobilização direta da torcida. Em contrapartida, transmissão, premiações e venda de jogadores somaram apenas 13,9% da receita azulina, diante de aproximadamente 59% entre os clubes do levantamento.
Parte da diferença é explicada pela participação do Leão na Série B em 2025, competição com cotas menores. A presença na Série A amplia o potencial de arrecadação, mas o clube ainda precisa diversificar suas receitas por meio de melhores contratos comerciais, boas campanhas e valorização de atletas.
Nesse cenário, fortalecer o Fenômeno Azul permitiria preservar a força financeira da torcida, mas com uma arrecadação mais previsível e menos sujeita às oscilações de público e renda no Mangueirão.
Com informações do Diário Online, das demonstrações financeiras do Clube do Remo e de levantamentos da EY, Sports Value e Globo Esporte.



Na minha opiniao é q o Temo subiu meteoricamente de divisões e esta q nem Joao bolo, perdidinho. É q nem o cachorro q corre, corre, corre atrás do carro e qdo o carro para ele nao sabe o q fazer. Mtas ações deveriam ja estar sendo implementadas desde q o Remo subiu para B, cono CT, Estádio proprio, Profissionalização, categorias de base e esse….do sócio torcedor. Enfim, aos poucos vamos andando para frente ( eu espero )