Santos-SP 0×0 Remo (Yago Pikachu) – Foto: Maurício de Souza/AGIF
Santos-SP 0×0 Remo (Yago Pikachu) – Foto: Maurício de Souza/AGIF

Leão segura o Santos-SP na Vila Belmiro, mas não finaliza dentro da área, volta a sofrer nas bolas paradas e precisará produzir mais para avançar no Mangueirão.

Da redação do Remo 100%, em 02/08/2026

O empate por 0 a 0 com o Santos (SP), na Vila Belmiro, pode ser considerado um resultado positivo para o Remo no jogo de ida das oitavas de final da Copa do Brasil. O Leão resistiu fora de casa e levou a definição da vaga para o Mangueirão, mas o desempenho apresentado deixa sinais de preocupação para o confronto decisivo.

A equipe azulina terminou a partida sem conseguir finalizar uma única vez dentro da área santista. Todas as 6 conclusões do Remo partiram de média ou longa distância. O Santos (SP), por outro lado, tentou o gol 19 vezes, sendo 14 delas de dentro da área remista.

Embora o placar mantenha a disputa totalmente aberta, repetir em Belém uma atuação com tão pouca presença ofensiva pode tornar a classificação mais difícil.

Pressão reduziu o volume adversário

O Santos (SP) começou melhor os dois tempos e criou perigo quando conseguiu aumentar a intensidade. A movimentação dos jogadores, as trocas de posição e as combinações rápidas permitiram ao time paulista encontrar espaços na defesa azulina.

A primeira resposta do Remo veio aos 9 minutos, quando Jajá arriscou de fora da área, mas o goleiro Gabriel Brazão desviou e a bola atingiu o travessão.

Depois dos 20 minutos, o Leão passou a pressionar mais a saída santista, recuperou a posse em regiões mais avançadas e conseguiu afastar o adversário de sua área. A mudança reduziu o volume ofensivo dos donos da casa, mas não se transformou em oportunidades claras para os visitantes.

Mesmo nos momentos em que controlou mais a bola, o Remo apresentou dificuldades para acelerar as jogadas. Faltaram aproximação, movimentação e passes capazes de romper as linhas de marcação.

Posse sem agressividade

O Santos (SP) ofereceu espaços que poderiam ter sido explorados, principalmente nas transições. O Leão, entretanto, desperdiçou algumas possibilidades por demora na tomada de decisão ou falta de precisão no último passe.

Em uma dessas jogadas, ainda no primeiro tempo, Zé Ricardo encontrou campo para avançar, mas não conseguiu acionar Alef Manga em uma situação favorável.

A dificuldade para entrar na área adversária reforçou uma característica apresentada pelo Remo desde a retomada da temporada – a dependência dos chutes de média e longa distância.

Além da tentativa de Jajá no travessão, Yago Pikachu levou perigo ao receber um passe de pivô de Alef Manga e finalizar de fora da área. Gabriel Brazão fez a defesa em dois tempos.

Esse recurso já havia produzido gols contra Vitória (BA) e Mirassol (SP), mas não pode ser a única alternativa ofensiva em um confronto eliminatório, especialmente diante de um adversário que vinha apresentando vulnerabilidade defensiva no Campeonato Brasileiro.

Zé Welison comanda proteção defensiva

Se a produção com a bola deixou a desejar, o desempenho defensivo teve pontos positivos. Zé Welison foi um dos principais nomes do Remo na Vila Belmiro.

O volante protegeu a entrada da área, venceu disputas e ajudou a limitar a participação de Neymar. Também apareceu na recuperação da posse e deu sustentação ao sistema defensivo nos períodos de maior pressão santista.

Os outros jogadores do meio-campo, porém, tiveram participação mais discreta na construção ofensiva. A equipe conseguiu competir e preencher espaços, mas encontrou dificuldades para fazer a ligação com o ataque.

Bola parada volta a preocupar

A defesa azulina nas cobranças de escanteio permanece como um dos principais problemas a serem corrigidos antes da partida de volta.

Depois de sofrer dois gols dessa forma contra o Mirassol (SP), o Remo permitiu que o Santos (SP) criasse 3 oportunidades perigosas em bolas paradas. Em uma delas, Lucas Veríssimo acertou a trave. Em outra, Gabigol chegou a marcar, mas o lance foi anulado porque a cobrança de escanteio de Neymar havia ultrapassado a linha de fundo antes de retornar à área.

O elevado número de passes errados também chama atenção. Pelo segundo jogo consecutivo, o Leão ultrapassou a marca de 90 erros, dificultando a manutenção da posse e a construção de ataques mais consistentes.

Resultado bom, desempenho insuficiente

O Remo cumpriu a primeira parte da missão ao deixar a Vila Belmiro sem desvantagem. Em um mata-mata, empatar fora de casa e decidir diante da torcida representa um cenário favorável.

O placar, entretanto, não deve esconder as limitações apresentadas. O Santos (SP) conseguiu entrar repetidamente na área azulina, enquanto o Leão não produziu nenhuma finalização dentro da área adversária.

Para transformar o resultado da ida em classificação, a equipe de Léo Condé precisará preservar a organização defensiva, corrigir os problemas nas bolas paradas e, principalmente, apresentar mais qualidade e agressividade com a posse.

Remo e Santos (SP) voltam a se enfrentar na terça-feira (04/08), às 21h30, no Mangueirão. Quem vencer avançará às quartas de final da Copa do Brasil. Em caso de novo empate, a classificação será decidida nos pênaltis.

Com informações da análise de Nicksson Melo, no Globo Esporte.

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