Juan Carlos Osorio – Foto: Samara Miranda (Clube do Remo)
Juan Carlos Osorio – Foto: Samara Miranda (Clube do Remo)

Alguns torcedores azulinos podem jurar que se os jogadores fossem escolhidos no “par ou ímpar”, como nas peladas, o Remo teria mais entrosamento.

Piadas à parte, as excentricidades de Juan Carlos Osorio geram um fenômeno curioso no mundinho do futebol paraense. Em meio à ruidosa insatisfação da torcida surgem defensores da paciência zen-budista, passando pano para as escolhas caóticas e os sistemas confusos que não se consolidam na prática.

O conceito aqui é de que as ideias de Osorio devem ser aplaudidas mesmo que não se mostrem eficazes, nem sinalizem que irão se materializar no futuro próximo. O principal argumento dos adeptos dessa tese é que Osorio não teve tempo para implantar seu sistema revolucionário.

De fato, ele desembarcou no CT do Retrô (PE) no dia 04/01 para assumir o comando técnico. Está, portanto, há apenas 43 dias dirigindo o Remo. É claro que deve ser avaliado com base nisso e merece um desconto, mas como profissional da área sabe que as competições não esperam.

Os otimistas acreditam que embaralhar jogadores de formação e perfil diferentes vai dar certo em algum momento. Isso não é certeza, é fé!

O problema é que o Campeonato Brasileiro, seletivo e cruel com equipes emergentes como o Remo, não irá esperar por Osorio.

No melhor dos cenários, quando o time finalmente estiver pronto, caso ele seja bancado pela diretoria do clube, o Brasileirão já estará vivendo seu período crepuscular, com definições sobre classificação e rebaixamento.

É quase angelical a ideia de que um técnico que construiu fama de cerebral e revolucionário, apreciador de períodos longos de trabalho, como na Seleção do México, de 2015 a 2018, iria se adaptar às urgências do calendário brasileiro. Aliás, nas 2 vezes em que trabalhou no país, dirigindo São Paulo (SP) e Athletico (PR), os resultados foram pífios.

Caso o trabalho no Remo fosse de longo curso, como foi no México, seria justo conceder o benefício da dúvida. Ocorre que o Brasileirão exige intensidade, condicionamento e entrosamento – uma palavrinha meio esquecida. É inconcebível que Osorio não soubesse disso.

Ao mesmo tempo, o Estadual deveria merecer um time razoavelmente organizado. Os tropeços e atropelos diante de equipes menos credenciadas se repetem desde a estreia. Águia (na Super Copa Grão-Pará), Bragantino, São Francisco, Castanhal e Amazônia criaram problemas colossais para o “Remo B” por um motivo simples – sem uma base de atletas, adaptável a adversários, não há como ser competitivo, mesmo em um torneio tecnicamente fraco.

Em 9 partidas, o Remo utilizou 9 formações diferentes. É claro que existem implicações de ordem física que interferem nas escalações, mas nada explica a opção por um time sem atacantes na reta final da partida contra o Mirassol (SP), quando o placar favorecia o Remo, ou o uso preferencial de zagueiros após obter o empate no Re-Pa.

Se há filosofia nisso, é uma filosofia equivocada. Rodízio pelo rodízio é o triunfo da indecisão. O Remo não pode se dar ao luxo de virar laboratório de experiências no ano mais importante de sua história.

Blog do Gerson Nogueira, 17/02/2026

6 COMENTÁRIOS

  1. Ao que consta o trabalho no São Paulo não foi pífio, como diz o comentarista. Pô! No Brasileiro o Treinador tem três rodadas. Jogou muito bem no primeiro tempo contra o Mirassol, o time cansou e fez um segundo tempo ruim. Contra o Atlético Mineiro, o Remo foi bem, não comprometeu, no primeiro tempo e melhor que o Atlético no segundo. Mereceu vencer o jogo. No primeiro jogo foi mal, embora com chances de gol que poderiam trazer um resultado melhor. Enfim, está mal no paraense. São inúmeros jogos de um e outro campeonato e um campo para treinar um elenco muito grande. É ver o jogo contra o Inter e Fluminense, ainda assim não se terá tempo, na minha opinião para um conceito definido, salvo com derrotas humilhantes.

  2. No São Paulo, 12 vitórias, 7 empates e 9 derrotas em 28 jogos, com aproveitamento de 51% dos pontos disputados. Saiu do clube disputando vaga no G4 do brasileiro. Isso é pífio?

  3. Treinador bom no Remo, tem que ser pau mandado, se tiver ideias próprias, é lunático, pardal e principalmente encrenqueiro, é melar o negocinho. Quer ouvir, ver modernidade, é só olhar: Caxiado, Tomaso, Matoso, Zaire e outros e o torre da bola, ali, você sai sonso de tanto ouvir e ver ideias brilhantes, não é atoa, que futebol Belenense é o que é, espelho para o resto Brasil, e agora, neste momento, está preste a fazer uma nova revolução, se chegar a uma vaga na liberta, redefine, quebra as estrutura do futebol Brasileiro, a roda, como é, já era

  4. Não sou contra o Ozônio e suas corriqueiras improvisações (experiencias), pelo contrário, o achou bom técnico…MAS…em um ponto, concordo com a matéria acima. Campeonato não para para o Remo se acertar, e acho q todos concordamos que o Remo é inferior tecnicamente a mtos times da A. Nosso Campeonato é outro ( manutenção na A e se der uma Sul-americana) . Vou sempre bater na tecla q o q esta dando certo não se muda ( é o logico)…Ozônio quer fazer suas experimentações?, quer botar zagueiro de LE, meia de centroavante, volante de ponta?, quer jogar com 4 zagueiros?, q bote…mas q mantenha o q der certo e não repita o q der errado…esse é meu questionamento: o Keyke não deu como LE, o Leo não deu como LE, o Jaderson não deu como Ponta, o PKP e o Pikachu não deram como centroavante, o Patrick generico nao deu como Ponta….mas ai ele vai lá e repete essas improvisacoes q nao deram certo??…aí não dá. O Jogo contra o Atlético (para mim o melhor jogo completo do Remo até agora), ele escolheu um time “normal” nas posições, com substituições de 6 por meia dúzia ( fora o Leo de LE) e o time jogou bem e merecia ganhar. Se o time mostrou melhora assim, pq nao continuar assim nessa toada???..Vamos ver o q ele vai fazer contra o Inter, para mim um marco decisivo de como o Ozônio enxerga o futebol no Remo

  5. O que vejo é que muitos comentários se perdem por falta de informação. O Léo Andrade, independente de não está bem nessa fase, precisa ter recuperação física, aprimorar tecnicamente, está pesado, sem recuperação e por aí vão as críticas, no Coritiba, jogou tanto de zagueiro como de lateral esquerdo. Então, na base, ou passando para o profissional, isso eu não sei, jogou de lateral esquerdo. Então, quem o colocou na ocasião é porque identificou essa possibilidade em seu futebol. É isso. Agora não sei se a posição original dele era de lateral e goi guindado para a miolo da zaga pela estatura, admitindo essa possibilidade, ou colocaram de lateral por que razão. Então, o Osório, no tocante a Léo, não está inventando nada. Já o Pikachu, saiu daqui como lateral direito, mas se via desde o Vasco, ele jogar de meia ou de ponta direita. Foi atualmente contratado como atacante. Então!

    • Caro Jamil….ja q bc discursou sobre o Leo, então me responda: O Ozônio botou o Leo para jogar 3x na LE, incluindo hoje…em algum desses jogos o Leo jogou bem?, e se vc falar novamente em recuperação física como o pro lema dele não jogar bem, isso tb passa pela mão do treinador, pq se um jogador não está bem fisicamente para desempenhar suas funções, o técnico não deveria bota-lo para jogar….recondiciona e aí sim utiliza-o. Isso só para falar do Leo…o Kayke jogou bem nas vzs q foi LE?, o Pikachu ou o PKP jogaram bem qdo foram centroavantes,?? o Patrick generico ou o Jaderson jogaram bem qdo foram pontas??

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