O Remo até flertou com o gol, encarou o jogo de peito aberto e deu sinais de que poderia largar na Série A com outro roteiro, mas o futebol tratou de lembrar sua crueldade.
No estádio Barradão, o Leão segurou a pressão inicial, equilibrhou as ações e desperdiçou chances claras quando o placar ainda estava zerado. Porém, bastou o Vitória (BA) abrir o marcador no início do segundo tempo para o cenário mudar completamente.
O time baiano tomou conta da partida, acelerou com as mudanças no ataque e impôs um domínio total no segundo tempo, transformando o que era disputa em controle e decretando uma estreia amarga para os azulinos, que acabaram se livrando de uma goleada.
O primeiro tempo começou com o Vitória (BA) em modo pressão total. Empurrado mais pela urgência do que pela arquibancada, o time de Jair Ventura tentou resolver a parada logo cedo, martelando nos primeiros 15 minutos e impondo uma “blitz” ofensiva.
O Remo mal conseguia passar do meio-campo e chegou a levar um susto grande logo aos 4 minutos, em lance de possível pênalti após toque de mão de Marllon, longamente checado pelo VAR, que percebeu um toque do jogador baiano antes do toque do azulino.
Passado o sufoco inicial, o Leão mostrou maturidade. Soube sofrer, baixou as linhas sem desespero e, aos poucos, foi se soltando.
A partir dos 15 minutos, o Remo equilibrou o jogo, passou a trocar passes no campo ofensivo e chegou até a atacar mais que os donos da casa por alguns momentos, ainda que sem levar grande perigo. Yago Pikachu e Alef Manga davam mobilidade pelos lados, enquanto João Pedro tentava brigar por dentro.
O jogo subiu de temperatura depois dos 30 minutos. Alef Manga quase abriu o placar com um chute venenoso de fora da área, que saiu raspando a trave de Gabriel. A resposta foi imediata, mas brilhou a estrela do goleiro Marcelo Rangel, que operou um verdadeiro milagre ao defender, com as pernas, uma cabeçada de Renato Kayzer, praticamente na pequena área, em lance que levantou a torcida.
Pouco depois, Rangel voltou a salvar em finalização de Matheuzinho, mostrando por que segue sendo peça-chave do Remo na Série A.
Nos minutos finais, a partida ficou mais truncada, com faltas duras, cartões e muita disputa no meio-campo, prejudicada também pelo gramado em más condições.
O Vitória (BA) ainda tentou uma última chegada perigosa, aos 48 minutos, novamente com Kayzer, mas Rangel estava lá de novo para garantir o empate parcial. O primeiro tempo foi intenso e nervoso, mas o Remo saiu vivo depois de aguentar a pressão inicial.
O segundo tempo voltou em ritmo de trocação franca. Remo e Vitória (BA) escancararam o jogo, jogando sem medo, lá e cá, com espaços de sobra. Logo aos 2 minutos, Patrick de Paula quase abriu o placar em chute colocado que passou sobre o travessão.
A resposta baiana veio na sequência, com Matheuzinho arriscando de fora e tirando tinta do ângulo de Marcelo Rangel. Era aquele tipo de jogo traiçoeiro, onde quem errasse menos, matava.
O Remo dava a impressão de que poderia marcar a qualquer momento. Pikachu também teve chance claríssima dentro da área, quando girou e bateu de primeira, mas a bola saiu por centímetros.
Só que futebol não perdoa. Aos 15 minutos, em cobrança de escanteio, a bola atravessou a área e sobrou limpa para Renato Kayzer cabecear para o gol, aproveitando uma falha na saída de Rangel para abrir o placar e jogar um balde de água fria no Leão, que ainda desperdiçou uma chance inacreditável de empate logo depois, com Pikachu, cara a cara, mandando por cima.
O Remo sentiu demais o golpe, perdeu confiança, se desorganizou e passou a assistir ao adversário jogar. As mexidas de Jair Ventura, com as entradas de Fábio e Fabri, deram outra rotação ao ataque baiano, enquanto Osorio tentava respostas que não vinham.
Alef Manga e Patrick de Paula foram substituídos e o time azulino deixou de competir no meio-campo.
O domínio baiano virou placar. Aos 31 minutos, após jogada construída com facilidade, Baralhas apareceu livre na área e empurrou para o gol, decretando o resultado final da partida.
O Vitória (BA) ainda chegou a marcar o 3º gol aos 40 minutos, com Fabri aproveitando rebote, mas o VAR apontou impedimento, aliviando um pouco o tamanho do prejuízo.
No fim, ficou a sensação clara de que até levar o primeiro gol, o jogo era aberto, mas depois só deu Vitória (BA) e o Remo acabou se livrando de tomar uma goleada em sua estreia.
Agora o Leão volta suas atenções para o Campeonato Paraense, onde enfrenta o São Francisco, no sábado (31/01), no estádio Dedecão, em Belterra, a partir das 16h, valendo pela 2ª rodada da competição estadual.
Pela Série A, o próximo compromisso azulino é diante do seu torcedor, no Mangueirão. Na quarta-feira (04/02), o Remo recebe o Mirassol (SP), com a bola rolando às 20h.
O Liberal.com, 28/01/2026


