Remo luta para manter imóveis

11/08/2013
Sede Social

Falar do patrimônio do Clube do Remo, hoje em dia, significa falar dos espaços conquistados e conseguidos com o decorrer dos mais de 100 anos de história da agremiação, mas também significa relembrar de espaços que o clube já teve e hoje em dia não tem mais. As más administrações passadas, principalmente na área do futebol, construíram muitas dívidas para a instituição nas últimas décadas e o resultado veio na cobrança da justiça e necessidade de se desfazer de patrimônios para quitar dívidas urgentes. Já em 1985, o clube vendeu a área do Posto Azulino, um posto de gasolina ao lado do estádio Baenão, por 300 milhões de cruzeiros, valor que amortizou as dívidas do clube, mas não as quitou totalmente.

A venda de patrimônio convive, historicamente, com a ameaça da perda de imóveis na justiça. Dessa forma, o clube perdeu o terreno onde seria construída sua sede campestre. Em 1992, com o dinheiro da venda de títulos remidos, o Leão adquiriu terreno em Benfica, naquela que foi sua última grande aquisição patrimonial. O espaço chegou a sediar um parque aquático, com piscinas, toboágua e um restaurante, mas o projeto para aproveitamento do espaço nunca foi finalizado. O local acabou não sendo ocupado pelos associados do clube e foi abandonado. Em 2008, 16 anos após sua aquisição, foi leiloado pela Justiça do Trabalho por R$ 3 milhões, valor cinco vezes menor do que o atual da área.

A venda de patrimônio para amortização de dívidas é um tema polêmico entre dirigentes azulinos. O ex-presidente Raimundo Ribeiro defendia que era melhor negociar o patrimônio e lucrar do que esperar que a Justiça arrematasse por um preço mínimo. Seu sucessor, Amaro Klautau, defendeu a venda do estádio Baenão como catalisador de um processo de transformação e renovação do clube, uma ideia que não foi bem aceita pela direção do clube à época nem pelos dirigentes que o sucederam.

Um ponto que historicamente tem gerado discussão no clube diz respeito à área do chamado “Carrossel” do Baenão, um espaço sub-aproveitado entre a fachada do clube e as arquibancadas do estádio. Diversas vezes ameaçada de leilão pela Justiça, a direção do clube, atualmente, trabalha com a hipótese de arrendar o espaço por um período de 20 anos para uma empresa em troca do pagamento de dívidas do clube.

Embora estejam situadas em áreas nobres da cidade, o patrimônio azulino sofreu uma desvalorização após a aprovação das lei que torna o clube um Patrimônio Cultural Imaterial do Estado do Pará. “Por proteger a área, a lei acaba restringindo as possibilidades de quem compra de alterar e fazer mudanças na estrutura local”, afirma o consultor imobiliário Silvio Paes Menezes.

O patrimônio do Clube do Remo

Baenão (incluindo Carrossel)
Área total – 28.028m²
Valor de mercado aproximado – R$ 40 milhões

Sede Social (incluindo parque aquático e ginásio Serra Freire)
Área total – 8.748,5m²
Valor de mercado aproximado – R$ 19 milhões

Sede Náutica
Área total – 1.137,32m²
Valor de mercado aproximado – R$ 800 mil

Total – R$ 59,8 milhões

Diário do Pará, 11/08/2013